22.3.12

Entrevistas III




Um rapaz, muito jovem, saiu de casa, montado na sua moto para encontrar a namorada com quem entregaria os convites de casamento que se realizaria dali a alguns meses.
Não chegou ao destino. Porque morreu na estrada.
No asfalto, o corpo foi mexido pelos populares. O carro envolvido no acidente desapareceu. O condutor era outro. E o corpo, frio, sem luvas e capacete jazia no chão.
Peguei no tema.
Marquei com a mãe e fui e casa daquela família enlutada. E revoltada.
A sensação de morte cortava-se com uma faca. O capacete. O blusão. As luvas ensanguentadas. O relatório da autópsia em cima da mesa. Os inquéritos abertos e encerrados. Para aquela família o filho tinha sido assassinado.
Naquela sala, de reduzidas dimensões, onde o computador dele continuava ligado, como se ele ainda lá estivesse, com fotos e pertences e uma mãe que continuava a gritar como no cemitério, senti pela primeira vez, os sintomas de um ataque de pânico.

1 comentário: