21.3.12

Idade





Hoje de manhã, o meu marido dizia-me que ele está a envelhecer e, ao contrário, eu estou a rejuvenescer. Não valorizei o desabafo porque ele tem uma borbulha do tamanho de uma azeitona na ponta do nariz e não deve ser muito agradável ver o seu reflexo no espelho. Eu disse-lhe que com aquilo não saía à rua. É um atentado. E peço-lhe para não olhar de frente para mim, nem pedir abracinhos, não vá aquilo rebentar e fazer-se em mil pedaços.
A verdade é que a idade não me assusta minimamente.
Será fácil falar do alto da minha juventude, mas a verdade é que estou a poucos meses de fazer 30 anos.

Ninguém diria.
Ainda esta manhã, uma senhora abordou-me na rua e propôs-me ser vendedora da Oriflame. Eu disse-lhe que não estava interessada e numa tentativa de me persuadir disse, “a menina tem menos de 30 anos e se aceitar nem paga a taxa de inscrição”. Como sabe que tenho menos de 30 anos? “Vê-se bem que está longe dos 30”. Lamento que esteja enganada, mas os 30 estão mesmo ali - está a ver - ao fundo da rua.
E este tipo de comentários acontecem-me com alguma frequência. Tipo, “tão nova e já com duas meninas”.
Numa das últimas compras que fiz com o meu marido, na Blanco, paguei e perguntei pelo meu saco com as compras e a menina respondeu-me, "menina o seu namorado já pegou nela". Namorado?! Ah, ah (!).
Ou, o que me irrita de morte... tratarem-me por tu, como se eu fosse uma fedelha acabadinha de ter a primeira menstruação.
De qualquer forma, eu adoro fazer anos. Eu vou adorar deixar de ser vintona. E até estou convencida que os 40 são a melhor fase da nossa vida
Não me vai incomodar nadinha quando me aparecer a primeira ruga ou quando alguém se levantar para me ceder o lugar.



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