6.3.12

Onde cabe a paixão?






Cabe na mesma gaveta que o amor. Podemos estar apaixonadas e gostar.  Podemos querer o corpo. E a alma.
E o amor onde cabe?
Cabe na caixa rompida de cima do roupeiro. Não cede espaço. Não partilha com a paixão.
Apaixonas-te uma e outras vezes. Na verdade, vais apaixonar-te tantas vezes enquanto viveres.  Vais querer com tanta vontade ter alguém. Nos braços.  Entre as pernas.  Vais querer sentir o cheiro do sexo acabado de fazer. E vais ter vontade de encomendar uma pizza que vais querer comer ainda na cama despidas de roupa. De relógio. De tempo.
E as borboletas vão continuar a voar-te no estômago. E a música a tocar no rádio.
Onde cabe a paixão?
Eu diria que cabe em qualquer lugar. Em qualquer circunstância. A paixão não tem tempo. Nem espaço.
Está no servente, sujo e musculado que martela na obra que vês sempre que abres a janela. No operador de caixa do supermercado que te teme pelo olhar. Está na cadeira da escola, da faculdade, no cérebro do professor, ou do estudante. Está no médico, que olha, mais do que fala. E nas palavras que não diz, pela boca porque se lêem nos olhos.
A paixão não tem conveniência. Não tem ética. Não tem medo, nem tempo. É aqui e agora. Porque é curta. Efémera. Desaparece com o voo da borboleta. Não se deixa apanhar. É como o pássaro encantado. E colorido. Livre. Porque só assim é bela.

4 comentários:

  1. Parabéns. Este texto sobre a paixão é brilhante. Concordo com tudo o que dizes.
    Também distingo facilmente a paixão do amor e ainda não sei qual dos dois prefiro. RC

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  2. Eu discordo. Acredito que é possível vivermos uma vida inteira apaixonadas pelo mesmo homem. Ana

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  3. O pior do amor é quando o desejamos eterno...quando nós não somos eternos, o bom da paixão é q ela nos permite amar a ir amando. Agora e sempre desde q aportemos o amor e a paixão todos os dias..

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  4. Deves estar muito apaixonada pelo teu homem para falares assim...

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