Respirei fundo (de alívio) quando percebi que estavas cá, do lado de fora de mim.
Vi-te, sem imperfeições, ainda que continuasses perfeita se as tivesses.
Encostei-te contra o meu peito e guardei a tua face de laranja e os dedos compridos. Quase não respirei com medo de que sufocasses com o peso do meu amor.
E de repente corres-me pela casa. Sobes (e desces) 30 degraus. Apagas e acendes luzes. Colocas os dvd's no leitor. Não lês, mas reconheces o teu ogre favorito, que vês vezes sem conta, sem pestanejar.
Escolhes os sapatos e insistes em calçá-los e deixar os calcanhares de fora. Bebes o sumo de colher e comes com a destreza dos meninos mais velhos.
Não gostas de babas. Nem de cachecóis. Nem de chapéus. Mas já aceitas-te os ganchos.
Não gostas de tirar fotos. Nem de batatas - a não ser que estejam fritas.
Não gostas de gente vestida de branco.
Já te olhas ao espelho e sorris. Exibes-te.
Finges que dormes. E que estás zangada. Olhas-nos de esguelha.
E zangas-te mesmo. E choras com a vontade de ris...
Dizes "amo-te" e basta-me.
Que bonita declaração de amor. O mais sincero e inabalável de todos...o que temos pelos nossos filhos.
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