4.3.12

(Re)Começar

O melhor presentes que o meu pai me ofereceu foi uma máquina de escrever que deve estar algures no sotão da casa da minha mãe. A seguir foi uma scooter, como presente nos meus 14 anos.  E finalmente, aquele Nokia cinzento, o primeiro que apareceu sem antena.


Eu sei o que quero.
Quero escrever. Para mim. Para os meus. Para os outros.
Sei o que sou. Sou contadora de histórias.
Se puder fazê-lo e ainda ganhar dinheiro, serei - eternamente - grata.
Se o fizer e não ganhar pataco, agradeço à mesma.
Encontrei o fulano que procurava. Apareceu-me - literalmente - à frente do carro. Num fim de tarde. Numa altura que já nem o procurava. Encarei aquilo como um sinal. Um recomeço.
E nessa noite quando regressei a casa, comecei a escrever. Notas soltas. Frases que não podia esquecer. Títulos. As perguntas "mortais". E escrevi os olhos dele. É assim que faço. Registo tudo. A cor da roupa. O tipo de calçado. As pessoas que passam enquanto falamos. Anoto o pormenor. E normalmente quando concebo o texto recorro a todos eles. Dão-me um jeitaço, e acredito que são os detalhes que contam a história, fielmente.
Estou uma entusiasmada comedida.
A entrevista é amanhã. E é também um ponto de partida para algo maior. Perigoso, até.

3 comentários:

  1. Eu acho que deves escrever sempre. Basta ler-te para concordar com o que escreveste neste post.
    E não tenho dúvidas que respiras jornalismo.

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  2. Eu estou curiosa com essa história!

    Porque gosto de ler e gosto ainda mais de pormenores... Aqueles que distinguem um bom escritor/olheiro de um mediano...

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  3. Podes publicar esse trabalho depois aqui? Carla Alves

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