13.3.12

Velocidade




As minhas filhas não passam o dia comigo.
A Carolina começa as aulas às 9 ( de preferência). A Constança tem que chegar ao colégio até às 9.30.
Antes das 17 vou buscar a mais nova. Às 17.30, a mais velha.
As horas antes delas são de silêncio. A casa transforma-se em betão armado. As paredes são só paredes. A cadela dorme. A televisão tem legendas.
A partir das 17.45 tudo se transforma. É a coisa mais pirosa que posso dizer, mas as horas depois delas ganham vida. A televisão fala -  ou o Shreek fala -  e a Xuxa canta. As paredes são folhas em branco para colorir. A cadela corre que nem doida, faz piões (qualquer dia faz o pino). A casa vira lar.
Elas gritam. Pulam. Correm. Desaparecem. Choram. Fazem tanta coisa em tão pouco tempo que não me é permitido acompanhar. Vivem com pressa. A uma velocidade alucinante. E eu atrás sôfrega, de língua de fora, a suplicar por um red bull.
Por isso, não se admirem quando digo que às 22.30 estou a dormir. É que estou mesmo.

1 comentário:

  1. Mais um testemunho muito bonito - e real - do que é ser mãe.

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