30.3.12

Verdades absolutas sobre o amor



Há não sei quantos Natais a minha sogra ofereceu-me o Segredo. Na ocasião, best-seller mundial. Queria que eu aprendesse o segredo para ser milionária. Assim me disse.
Nunca fui na onda de livros de auto-ajuda. Admito o meu cepticismo e reconheço até um quê de ridículo em quem rege a vida por tais princípios. De repente, lembro-me de uma mulher que não arranjava marido porque dormia no meio da cama e estacionava o carro na garagem de modo a não caber mais nenhum. Segundo, a autora, se ela agia como alguém só, assim ficaria para o resto da vida.
Mas, é suposto eu pôr a mesa para dois e desperdiçar comida se a verdade é que vou comer sozinha?
Havia outra também muito engraçada e esta sim tem a ver com dinheiro. O livro sugeria que através do site se imprimisse um cheque com uma quantia choruda em dólares e o colássemos num local onde o pudéssemos ver muitas vezes ao longo do dia. Assim. Tão simples quanto isso. Ainda me passou pela cabeça colá-lo na secretária. Se enriquecer era assim fácil, eu não desperdiçaria a oportunidade.
O Segredo defendia a ideia que se pensares muito numa coisa o universo conspira a teu favor e essa coisa vem ter-te às mãos.
Pois, eu lamento decepcionar os crentes, mas já pensei muito num range rover branco e ainda não me apareceu outro carro na garagem.
Há um livro de um blogger que assina o arrumadinho dedicado a relações, entre homens e mulheres. Ele diz-se um expert no comportamento masculino e propõe-se desmistificar o homem enquanto animal unicamente sexual. Mas, quem é que tem dúvidas? Meninas a frequentar o secundário.
Eu sei que os homens se apaixonam e que vivem o amor com a mesma intensidade que nós. E que querem alguém do lado - como nós queremos - desde que gostem dessa pessoa. E que se afastam se não querem.
Era preciso ser o arrumadinho a dizer tudo isso?
Eu não tenho de tirar um curso ou ler um livro para perceber se um homem gosta de mim ou quer ver-me longe.
É isso e pessoas que têm ideias pré concebidas sobre o sucesso ou insucesso de uma relação.
Já ouvi muita gente dizer ah e tal uma relação que começa como uma infidelidade nunca poderá dar certo. Então porquê? Está condenada ao fracasso como qualquer outra. E à felicidade na mesma proporção. Eu cá até acho que se alguém se conhece e não consegue evitar a traição a terceiros é porque está realmente envolvido e apaixonado. E quantas relações não começam assim e continuam por muitos e longos anos?
Ou quantos casais que juram fidelidade e cumprem não terminam a relação por desgaste ou desamor?
Quantas vezes julgamos estar apaixonados sem sentirmos paixão alguma? Ou outras tantas que rejeitámos um sentimento por alguém quando intimamente sabemos que ele existe?
Não entendo como é que alguém pode assumir como verdades absolutas ideias pré concebidas sobre o amor e as relações. Esqueçam. Não há regra. É viver e pronto.

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