4.4.12

O que vale a saúde




Toda a gente sabe que sou completamente doida com as doenças. Que me desespero a cada vírus - inofensivo - que toma, por breves horas, o corpo das minhas pequenas.
Sou obsessiva e blablalabla...
As minhas amigas não me desamparam. Abanam-me. A educadora está sempre a dizer que sou uma sortuda, que a Constança é dos bebés mais assíduos e verdade seja dita, estamos na primavera e só adoeceu uma vez com necessidade de antibiótico. A irmã, nem isso. Apanhou um vírus e ao terceiro dia estava como nova.
Eu, católica contida, agradeço a Deus, ter contemplado as minhas filhas com tanta saudinha. E esta manhã, na entrevista que fiz, senti-me tão grata - e abençoada - por ter crianças saudáveis, que nunca foram internadas, que nunca passaram pela urgência do hospital e cuja maior dor de cabeça que me deram foi a febre que ainda assim nunca foi além dos 39.
A criança que conheci está condenada a uma morte prematura. Há um ano corria atrás da bola no ringue da escola e divertia-se no parque, hoje quase não anda; mal fala e já não tem força para segurar nos talheres. É um velho de 9 anos.
E mais não posso dizer.


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