2.4.12

Páscoa; sexo e religião



Eu sou batizada. Fiz a primeira e a comunhão solene. Não fiz o crisma, mas batizei uma afilhada. Casei, segundo a igreja católica. Batizei as minhas duas filhas e tudo indica que também elas farão as comunhões. Porquê? Não sei responder.
A Carolina entrou com dois anos para um colégio católico, gerido por uma congregação de irmãs.  O mesmo que a Constança frequenta, actualmente.
Não foi pelo facto de ser católico que o escolhi. Foi pela reputação e pelas boas indicações que tinha. 
Nunca me arrependi.
Se me perguntarem, respondo que sou católica. Porque eu - e a maioria dos portugueses - fomos educados com base nos princípios do catolicismo. Não me revejo em nenhuma outra religião. E não sou extrema ao ponto de dizer que sou agnóstica. 
Sou uma católica contida. 
Já pedi a Deus um milagre que não foi concedido. Já pedi outras benesses que aconteceram. E em vão - como toda a gente - digo tantas vezes "meu deus".
Não vou à missa. E não sinto necessidade de ir. Naturalmente que não me confesso. Nem preciso de ir ao cemitério para chegar mais perto dos que já morreram. Mas, acredito na energia. Na vida depois da vida, sem que isso tenha alguma conotação religiosa.
Gosto do Natal, pelo espírito. Pela partilha. Por ser sinónimo de família.
Não gosto que a igreja seja contra o uso do preservativo e pense o sexo apenas como instrumento reprodutor.
Não gosto de pessoas rastejantes no altar de Fátima.
Não acho grande piada à Páscoa. À morte e à ressurreição. Ao jejum. E principalmente aos loucos e loucas que depois da labuta vêm para casa esfregar paredes e deitar lixivia no número da porta. 
Mas esta gente tem a casa suja o resto do ano? 
Abro a porta ao padre ou, no caso, à figura que o representa. Não é que goste, mas enquanto católica (contida) tenho que o fazer, até para evitar uma síncope na senhora minha mãe. 
O meu pai morreu em Janeiro. A minha avó em Fevereiro. E a (minha) outra avó em Março.
A seguir, Março ou Abril, temos a Páscoa e não foi bonito de ver (a triplicar) Cristo na cuz, água benta nas cabeças e a minha mãe a aproveitar a visita pascal para carpir as mágoas.
Gosto da Páscoa porque é na primavera. E porque cresci com a tradição que como as casas eram renovadas, na Páscoa também é obrigatório vestir roupas novas.
Gosto da Páscoa pelas minhas filhas, porque recebem presentes. 
Eu ainda guardo a memória de uma mini rosca enfiada no meu pulso, como se fosse uma pulseira. Foi-me oferecida pela minha madrinha que morreu quando eu tinha 7 anos. E a partir daí foram-se os domingos de ramos. E os presentes.

talvez a minha capa de coelho para o iphone chegue a tempo de animar a minha Páscoa.

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