24.9.12

Conversas improváveis



Falo pouco para quem não conheço. Reservo-me esse direito. De observar...
Falo muito para amigos e  família. Sou do tipo tagarela que já mandam calar com a maior das latas. Sou monopolizadora. Mas, boa ouvinte. O que não interessa nada para o quero dizer, para as conversas que nunca chegam a ser porque azedam antes - como a sopa no verão.
Na sexta fui à feira (juro por Deus que não punha lá os pés desde o início de Agosto), apesar do frio que tomou conta sem aviso e das gotas de chuva que chegaram a cair.

Os excertos que se seguem são da exclusiva responsabilidade dos intervenientes e provam que esta alma de gatilho na língua está cada vez mais controlada (reservo-me o direito do silêncio quando as palavras são inúteis)...

 - Olha que fofo este colar...
 - E também tem o porta chave igual menina...
 - Ah que pena...o meu carro é de cartão...
 - Você não tem chave do carro???
 - Não, é um cartão - respondo naturalmente enquanto procuro mais bijuteria.
 - Então ponha na chave de casa...
- Também não uso chave de casa...
- Oh menina você tem alguma coisa contra as chaves? Como é que entra em casa, então?
 - Entro sempre pela garagem...com os comandos...
  - Tu deves ter um barraco, deves - observa a cigana, em surdina.


Ao fim da tarde, já ligeiramente atrasada fazia figas por um lugar de estacionamento. Tinha uma reunião marcada e uma pessoa já à espera.
Adiante na estada, avisto o meu lugar. Estaciono. Enquanto ajeito o cabelo e pego na pasta, vejo duas senhoras, que não sendo idosas já estão claramente em pleno gozo da reforma, conversarem, entre gestos e olhares cortantes para o meu automóvel.
Quando saí, aparece uma delas, meio que escondida por trás da porta:

 - Vai demorar muito tempo?
 - Porquê? Precisa do lugar?
 - Isso não interessa... estou-lhe a perguntar se vai demorar muito tempo. Não pode estacionar a´.
 - Não?! Onde está o sinal de proibição? A garagem? Tão pouco estou em segunda fila ou a bloquear algum carro...
 - Mas esse lugar é meu!
 - A senhora então paga por este lugar... Pode me emprestar? Para quando vai precisar dele outra vez?
 - NÃO INTERESSA PARA QUANDO VOU PRECISAR!!!QUERO SABER SE VAI DEMORAR...
 - Olhe, chame a policia.



1 comentário:

  1. Até foste bem comedida nas respostas... dada a arrogância das intervenientes!

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