8.1.13

Este país não é para velhos

Esta tarde despachei quatro entrevistas.
Conheci um padre à séria, daqueles que vivem em missão. Comprometidos. Com o rebanho. Um padre que lidera um projecto social de tirar o chapéu. Com velhos. E com novos. Novos demais para lá estarem. Novos demais para estarem sós.
Conheci uma miúda (ela perdoar-me-á o termo) mais nova do que eu - directora técnica de serviço. Licenciada em psicologia com um mestrado em cuidados paliativos.
Conheci 16 idosos. 15 mulheres, todas viúvas. Sem filhos (vivos ou mortos). Sem casa. Sem roupa. Sem nada.
São emergências sociais. Referenciadas. Que não merecem tão pouco acordo de cooperação com a Segurança Social.
São casos que esbarraram na burocracia e na falta de dinheiro de um país empobrecido e velho.
Mulheres e um único homem que recebem menos de 200 euros mensais. Precisam de medicamentos. Precisam de transporte. Cuidados médicos e de enfermagem diários. Cuidados de higiene. Alimentação. Vestuário. Mantas. Palavras.
Há coisas que o Estado não paga. Outras há que sim.

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