15.1.13

O primeiro





A primeira gravidez é diferente. Engordas menos e mais tarde.
Chegas a desfrutar dos enjoos porque é por eles (através deles) que inicialmente sentes que carregas vida.
Só percebes que custa quando estás de pernas abertas e não susténs os gritos de dor. Quando te acotovelam a barriga e te pedem para puxares, quando insistes que não te resta mais energia.
De repente, olhas e tens aquela vida (que carregaste heroica e orgulhosamente) que te valeu o sofrimento físico mais atroz que havias sentido, até então.
Estranhas. E entranhas. Entranha-se. De tal forma que uma já não se faz sem a outra.
Escreves com aquele bebé sobre o peito.
Cozinha com aquele bebé pousado na mesa.
Usas a casa de banho com aquele bebé no colo.
Levas aquele bebé para a redação. Para a lua de mel. Para viagens de oito horas de avião, para países com uma diferença horária superior a seis horas. Uma não se faz sem a outra...

Fui primeira e sou única. Sou mãe de duas.
Mas, tantas vezes penso no que me dizem os segundos. "Não há amor como o primeiro".
Por acaso, há. Porque o sinto.
Mas, concordo que não o viverás com a mesma intensidade.

Na segunda gravidez engordas mais e mais cedo.
Inchas. Ao segundo mês já te apelidam de Miss Piggy.
Ficas ridícula de tacões, mas estás exageradamente pesada para não os usares. E como se não bastasse parece que só tu é que não vês isso.
Lembro-me tão bem de insistir com o Nelson que continuava a caber num M quando já pesava perto de 80 quilos.
De repente tens aquela (outra) vida. Que não te custou a parir.
Estranhas. E entranhas. Entranha-se. E dás por ti num emaranhado de vidas que já não se fazem sozinhas.

Isto tudo para me desculpar porque a Constança ainda não tem álbum. Nem fotos na porta do frigorífico.
Mas, amor tem. E seguramente pujante como o primeiro.

2 comentários:

  1. Amiga, eu não tenho album nem do 2º nem do terceiro, qualquer dia nem sei de quem são as fotos de bebé, mas não há amor como o 1º nem como o 2º muito menos como o 3º, quando achas que não podes amar mais do que amas cada dia que passa esse amor cresce nem sei bem como.

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  2. Eu quero muito ter filhos. Sou nova ainda, 19 anos acabados de fazer. Mas sempre pensei nisso, sempre me vi a tomar conta de miúdos, a levá-los à escola, a fazer bolachinhas e panquecas com eles aos domingos de manhã. Passear com eles, com o cão pela trela e o marido pelo braço.
    O que me assusta mesmo é aquele momento fatídico do hospital, em que estamos "mais para lá do que para cá" (imagino eu), e uma catrafada de médicos, enfermeiras e o marido atento a cada 'pormaior' que se passa... Ui, fico petrificada só de imaginar. Mas quero tanto!

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