Como aquele que pinta os perfis de centenas de utilizadores do Facebook porque a Leonor morreu. O rosa era a sua cor favorita, a exemplo das minhas filhas. Porque são meninas e são crianças.
Mas a cor dos perfis é, no fundo, um preto insuportável. Irremediável. Aterrador. Olha para mim - olha para qualquer mãe - e desafia-me, lembra-me que estou aqui com o coração, e tudo resto, dependente das minhas filhas. Estou aqui, como estava a mãe da Leonor. Ser mãe faz de mim tão vulnerável. Acho que é a maior fraqueza de todos nós. Tiram-nos este tapete e já fomos.
É conveniente ter fé. Acreditar em Deus e nas criancinhas vestidas de branco a correr pelo céu fora ou sentados na relva a ouvirem histórias dos avós já falecidos.
É comovente esse rosa social assumido como corrente solidária pela menina de 5 anos que morreu depois de 14 ou 15 meses a fazer-se mulher heroína na luta contra o cancro. A ser picada, injectada, amputada. A não poder tampouco prender um gancho no cabelo. A Leonor foi privada de ser criança. A sua mãe perdeu-a. Não se perde um filho. Devia ser inconstitucional, na lei dos homens e de Deus.
A única coisa pior do que estar a morrer de cancro é ter um filho que está a morrer de cancro.
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