Viramos o ano. E como eu previa nada mudou. Voltei a acordar quando me apetecia dormir; o vizinho continuava a apreciar a piscina; a Carolina continua a não comer pela própria mão e a Constança continua irredutível face a acessórios na cabeça.
Mas, à parte da manutenção da rotina, tenho uma novidade. Constancinha entrou em 2011 às pintas. Varicela, meus caros, varicela. Verdade. Depois do vírus, dos três dentes a romperem, outro “bicharoco” apoderou-se da minha pequena. Eu que se não fosse jornalista podia ser médica, tracei-lhe imediatamente o diagnóstico, após sentir duas borbulhinhas no couro cabeludo. “Varicela”, disse eu. “Lá estás tu a fazer filmes”, responderam-me. Pois não estava. O meu diagnóstico sustentado neste instinto maternal infalível é certeiro. Nas horas seguintes, as pintas mobilizaram-se em massa e apossaram-se daqueles 70 centímetros de gente. Voltem tios que estão perdoados. O infantário está a dar comigo em doida. Já não basta a pequena fortuna que gasto em telemóvel e o facto de regressar a casa completamente alterada, ainda levo com toda esta bicheza que teima em não largar o meu bebé.
Já vos tinha dito que estamos em 2011. Não parece, mas estamos, apesar da semelhança com o ano passado que já lá foi.
Passamos a meia noite entre um monumental fogo de artifício da responsabilidade do cunhado V, que é cá um artistão para tudo, e brindes. Nada de original, convenhamos. Acompanhamos a final da Casa dos Segredos, divididos entre a nossa querida conterrânea e o não menos querido homem das ovelhas e das vacas que em tempos se aventurou na mais antiga profissão do mundo.
Na nossa noite de fim de ano, não faltou a tradicional sessão de bingo e adivinhem…eu limpei tudo! Trouxe para casa uns 7 euros a mais. Entre os doces, o pão de ló, os queijos da serra, o bacalhau e o pica no chão (obrigatório), lá nos despedimos do ano velho e de repente apercebi-me que fui modesta nos meus desejos. Devia ter pelo menos incluído mais um porque não me agrada nada isto da minha Carolina não respeitar as minhas opções . Antes era vê-la, se preciso fosse, com um papagaio na cabeça, tacão nos pés e máscara nas pestanas. Agora, simplesmente recusa-se. “Ai porque não dá jeito nenhum levar tacão para a escola”; “ai que estou um bocado farta que estejam sempre a dizer, ai que linda”, “ai mãe, chego à conclusão que não entendes como cresci”. E eu digo o quê?! Não digo nada. Rendo-me perante tais argumentos e projecto toda a minha esperança para pequena Constança, ainda que não preveja grande sucesso.
Passaram as festas. Volta em cheio o trabalho. E agora, o que nos move? As férias? Eu só tenho férias em Agosto! O Braga / Vitória de segunda feira? A Páscoa? O Carnaval? As colecções Primavera/ Verão?
A vida não pára.

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