19.3.11

A menina dos olhos grandes


Mundo fora, movimentos anti-natalidade. A epidemia de gripe suína justificava um baby-crash e "euzinha da Silva", grávida. Uma ganda maluca indiferente aos apelos mundiais para sermos contidos nisto da reprodução.
Não engripei. Nem tão pouco me constipei. Vacinei-me e engordei. Com 38 semanas de gestação, no dia 19 de Março de 2010, com 52 centímetros de comprimento, 3360 kg de peso, nascia Maria Constança. Eram aproximadamente 5 da tarde. Não me lembro...Estava entretida entre a baba e o ranho e a moca da anestesia geral.
Depois da primeira experiência com a bebé sacada a ventosa, a segunda veio à faca. Conclusão: duas gravidezes e dois partos depois não fui capaz de parir. Mas desta vez até estava a correr bem...5 centímetros de dilatação bem medidos por um enfermeiro parteiro (só há dois no norte), sem epidural. Tudo se encaminhava para um parto à séria, com marido a assistir, gritos e respiração controlada como tinha aprendido nas aulas de preparação para o parto, mas não...Oxigénio colocado. Médicos. E pânico! Muito pânico. Prolapso do cordão umbilical significa cesariana de urgência. Em tempo récorde: 90 segundos!
Não a vi nascer. Não a ouvi chorar (mas chorou). Disseram-me que era ruiva, mas enganaram-me. Era comprida. Com o cabelo escuro. Era o bebé mais perfeito que alguma vez vi. Chamei-lhe "laranjinha". Teve cólicas no primeiro mês.Gostava de adormecer de barriga para baixo. Chorava sempre que andava de carro. Vestiu de vermelho na sua primeira Páscoa e vestiu de vermelho no seu primeiro Natal. Não mamou. A primeira palavra que disse foi "olá".Hoje repete quase tudo. Não anda, ainda. Não andará tão cedo. O cabelo encaracola-lhe nas orelhas. Dá beijinhos, abraços. E dentadas. É o Alonso dos andadores. Não raras vezes come papel, brilhantes e tetinas dos biberóns. Em boa verdade mastiga tudo que lhe aparece pela frente. Já lhe perdi a conta aos dentes. Adora sopa e iogurtes de bolacha. Não tem brinquedo de eleição. É dela o mais belo acordar. O "olá" que me diz e aquelas "azeitonas" a olharem-me...Alguém lhe chamou a menina dos olhos grandes. Eu concordo.
Foi um prazer viveres no meu ventre.
É um prazer seres minha há 365 dias.

*feliz dia Pai...temos muito que conversar

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