13.2.12

Mais uma reportagem inquietante da Ana Leal

São pessoas com a morte nos olhos e na cor da pele. De boca entreaberta para entrar o ar que falta.
São corpos de ferida jogados em camas feias, normalmente com uma pequena mesa ao lado onde se pousam os fármacos que controlam a dor mas não evitam o mal de um coração tantas vezes só. À espera de perder para a morte que nesta "condição humana" pesa menos que a vida.

Pouco tempo após a morte do meu pai acompanhei em reportagem uma equipa de apoio domiciliário e vi naquelas pessoas a morte nos olhos. E voltei a vê-lo também a ele nos instantes finais. Eu que não choro, chorei.
E mais recentemente tive oportunidade de entrevistar a provedora da misericórdia de Guimarães por ocasião da abertura da unidade de cuidados continuados de média e longa duração. E o que me apraz dizer com satisfação é que ainda bem que há estas instituições que tratam de nós e dos nossos. E encurtam distâncias entre os que estão para ir e os que ficam.

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