14.2.12
O amor é um lugar estranho
A Clara de Sousa acabou de dizer que ainda se escrevem cartas de amor. Eu não duvido. É isso que faço aqui todos os dias. E concordo quando dizem que as palavras escritas se dizem diferentes. Mais sentidas. E se podem- sempre - lembrar.
A minha mãe guardava as cartas de amor que o meu pai lhe escrevia da tropa numa caixa de biscoitos franceses em cima do roupeiro. Eu subia a uma cadeira e a custo alcançava o móvel que à data me parecia gigante e deixava-me levar por aquele amor. Nessas palavras, escritas, fiquei a saber que o meu pai era um pingo amor e teve muitas pretendentes.
Hoje, essas cartas perderam-se. Mas encontram-se, por cá, na minha memória.
O meu marido não escreve. E eu lamento. Porque eu digo...mas não tão bem como escrevo.
O amor é cada vez mais um lugar estranho. Cada vez menos sincero.
As pessoas apaixonam-se, através do facebook. "Amam-se" na cama, ou onde calhar, sem romantismo ou beijos na boca. No fim, esfriam a alma à medida do corpo. E despedem-se. Às vezes para nunca mais se voltarem a ver.
Quero crer que há excepções. Que a paixão ainda evolui para amor. Para casamento. Para família. E que os baloiços do parque continuarão todos ocupados ao sábado à tarde.
Na minha opinião - que muitos dirão retrógrada - com a banalização do sexo, foi-se o respeito pelo amor, pela relação, pelo parceiro(a). E posso sustentar a minha opinião com um exemplo muito simples: Casa dos Segredos. Nas primeiras edições do Big Brother quem fez sexo dentro da casa, acabou casado. Nesta Casa dos Segredos tivemos um concorrente que conseguiu envolver-se com duas mulheres tendo inclusive uma namorada que diz amar. E o melhor, quase todos acharam normal. As meninas não se chatearam uma com a outra e que nem lhes passasse pela cabeça confrontar o Dom Juan.
De modo que, eu sou do tempo que o homem abre a porta, cede passagem e paga a conta.
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