28.3.12

Quem te leu e quem te lê!!!




Uma menina a terminar o 12º ano perguntou-me se um bom jornalista tem de ser um bom escritor. 
Não necessariamente. Respondi-lhe. Se bem que na minha concepção de jornalista este nunca o seria na plenitude se não fosse um bom escritor. Porque as "histórias" dependem da forma como as conta. Uma notícia pode passar despercebida numa publicação e fazer manchete noutra. 
Conheço bons jornalistas, atentos, perspicazes, que são os primeiros a colocar a questão, mas depois não são capazes de dar a notícia ao leitor. Escrevem como se tivessem a escrever para um colega de profissão que domina o assunto. O leitor não sabe do que fala e cabe ao jornalista informá-lo. Transportá-lo para o espaço e o momento da acção. E como o fará se não dominar a escrita, a pontuação. Se se perder em parágrafos intermináveis?
Para a primeira publicação que escrevi, recordo-me que estava colado no computador quantos caracteres tínhamos de escrever para determinada peça. E não nos podíamos desviar da conta.
Actualmente escrevo livre. É como se o meu cérebro contasse as palavras ao processá-las. E no final, não me desvio muito da contagem esperada. 
Não gosto de textos grandes, escritos para encher chouriços e corresponder ao que se espera em número de caracteres. Um bom texto e uma boa foto são quanto basta para uma boa página.
Quantas notícias podia ter escrito sem sair da redação, sem levantar o rabo da cadeira? E quantas, por manifesta impossibilidade, escrevi assim, com um press release à frente?
Quantas entrevistas podia ter feito com um telefone ou via email? E foram muitas as que fiz.
Mas nunca por minha vontade, a não ser que falemos de uma alteração ao trânsito. 
Para escrever tenho que ver. Cheirar. Ouvir. Tocar, até. Ver o que veste e como veste. Tenho que descortinar os sinais, como a humidade na parede, ou os livros que tem na estante. São os pormenores que distinguem um bom texto.
Um jornalista não pode ser professor, advogado, médico. Mas, um professor, um advogado ou médico podem ser jornalistas. Conheço muitos que se formaram em direito e exercem jornalismo. E nunca fui objectora dessa realidade, porque essencialmente um bom jornalista tem de ser persistente, incómodo, furão. E tem de saber escrever. Ou seja, tudo que enumerei não se aprende na faculdade, nasce connosco. Ou sabes escrever ou não sabes. E o resto são características da tua personalidade.
Mas, hoje entendi com uma amiga professora de português, colega de carteira no secundário, por quem copiava nos testes de história e a quem vencia na nota final, só porque escrevia melhor, que também se aprende a escrever...escrevendo.
Mary quem te leu e quem te lê!!!

1 comentário:

  1. Eu gostava de ser jornalista, mas sou tímida. Achas que é possível vencer a timidez?

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