31.1.13

Report

Alguém viu dois pegamonstros com cinco anos de diferente entre si?
Não sei como os perdi. 
E assim, ao de leve, não estou a gostar da sensação.

29.1.13

Packing


Uma terça como deviam ser tantas







Encontramo-nos no pequeno almoço. Como em tantas outras manhãs. Em que nos despedimos depois das 11 e cada um segue o seu ritmo. 
Hoje, lancei o desafio. Que giro que era, se dessemos seguimento ao dia num ritmo comum. Com compras. E almoço à beira mar. E mais compras. E motorista. E spa. Banho termal para a sinusite. Sangria de champanhe. E um avanço temporal até ali à Comporta...
Uma desertou.
Ficamos duas. Pelas compras e pelo almoço à beira mar. 
Foi perfeito. 
Gastamos pouco e bem. Em vez de regressar com aquela sensação que me desgracei, voltei convencida pela espectacularidade dos achados da Bimba & Lola.
E o almoço soube tão bem.

Oi????

 - Estou...Muito boa noite...
 - Boa noite...
 - Fala do Sport Lisboa e Benfica...
 - Desculpe...?
 - Fala do Sport Lisboa e Benfica... Como está?
 - Disse que falava do Sport Lisboa e Benfica...?
 - Sim...Posso falar consigo?
 - Olhe...ainda bem que o Benfica me está a ligar... Já me incomodavam as SMS que me enviava e eu - confesso - que sem ler apagava, não fosse alguém ver o destinatário e lá se ia a minha reputação... Chamadas??? Já é um bocadinho de mais. É que está a ver eu sou do Sporting e era para lá de altamente que o Sport Lisboa e Benfica deixasse de me assediar com SMS e, agora com telefonemas...
 - Eu peço muita desculpa mas o seu contacto está registado na nossa base de dados como sócio do Sport Lisboa e Benfica...
 - Asseguro-lhe que não sou.
 - Obrigada pela atenção...
 - De nada, cumprimentos ao Jesus...

28.1.13

Raisparta a mulher

Há uma funcionaria na UM que mal me põe a vista em cima importuna-me. Incomoda-me, pá. Não foi só uma vez. Foi, pelo menos, a terceira. E tudo porque a mulher meteu na cabeça que tenho de parar o carro onde ela quer.
Eu posso ter assim um ar de beta, mas asseguro-lhe minha senhora, que se descer ao chinelo sou pior que o Deus me livre. E hoje faltou muito pouco.
Como viu ainda fui atrás de si. É que há dias, está a ver, que não nos aparece nenhum passarinho amarelo e que me estou a cagar para a capa dos botins.
A senhora não volta a bater-me no vidro e dizer que eu devia ter estacionado mais atrás, ou mais à frente.

King Kong e a dança da vontade

Na primeira ele desiste.
Na segunda ela troca-o.
Na terceira, desentendem-se.
Os cobardes esfregam as mãos. Atribuem ao universo a decisão do seu querer.
Os corajosos derrubam barreiras. Querem ainda mais.
Como o par romântico da novela. Que nunca se vê. Nunca se beija.
Os corajosos tomam a autoestrada. Se quero, se tem que ser, que seja antes.
Os cobardes vão pela nacional. Entre trilhos estreitos e irregulares. Param para vomitar. Chegam quando chegarem. Se chegarem...
E às tantas os corajosos percebem que não se dão com cobardes.

Resolução de fevereiro

Chegar ao colégio antes das 9.30h.
Já não posso com a azia do porteiro.
Pronto, é isso.
Boa segunda.

27.1.13

Grande noite



Pelo caminho disse-lhe "tens emoções comigo que não tens com mais ninguém". Gargalhou. Estridentemente. O que na ocasião me pareceu uma manifestação absolutamente injusta porque ela sabe que assim é. Ela sabe, desde 1870 (somos da escola da Veiga e a Veiga já não existe).
E assim foi. O universo conspirou de tal modo que nem eu no cúmulo da minha criatividade sonhei que pudéssemos ter uma noite como aquela.


Nota: os senhores da primeira foto estavam tão bêbedos que às tantas colaram a mesa deles à nossa. E o que se passou a partir dali é altamente constrangedor.

Sporting - Vitória



A última vez que estive em Alvalade estava grávida da Carolina. Foi num jogo para as competições europeias que já nem sei se ganhamos ou perdemos. Mas, sei que nesse ano o Sporting perdeu a final dessa competição. Foi mesmo na véspera de parir a rapariga, em Maio de 2005.
Hoje voltei. Porque o homem sofre de vitorianismo agudo e porque o meu coração continua verde.Bate menos e mais descompassado. Assobia para o ar numa de "ah perdeu outra vez?! Sério? Nem sabia..."
Mas, na hora da verdade sabia exactamente onde tinha o cachecol guardado. E a camisola. E o boné.
O marido ameaçou que me deixava e lá me resignei entre o verde e o branco, mas depois de abastecermos não me livrei da achega do rapaz do posto "enganou-se no cachecol". Ainda lhe disse, timidamente (porque o povo cá de cima é ganda maluco nisto de futebóis e do Vitória), "tenho os dois". "Esqueça lá o verde, menina", respondeu.
Afinal ninguém se chateou. E a cena do penalti, sinceramente não vi nada.

24.1.13

Histórias


Sou boa com histórias. A vivê-las e a contá-las.
Crio personagens. Altero argumentos. Misturo-os. Tipo o Shrek com burro falante, gato das botas, princesas da Disney, Pinóquio e capitão Gancho.
A minha mente é suficientemente criativa para terminar a história só quando terminam a sopa.
Mas, à noite, com uma criança como a Constança a tarefa complica. O nível de exigência aumenta.
Se eu digo, "a mamã da Capuchinho chamou-a..." ela interrompe-me, "da janela ou da porta da rua?".
Se eu digo, "de repente apareceu o lobo mau...", ela interrompe-me, "o lobo tinha sapatos ou sapatilhas?".
Se eu digo, "o lenhador encontrou o lobo e abriu-lhe a barriga...", ela interrompe-me, "onde é que o lenhador trazia a faca? Foi à cozinha buscá-la?"...

Panca por buldogues francês? Naaaaaa...




Noites



As noites são diferentes. Têm sido, pelo menos.
Não há televisão.
Há livros e histórias, às vezes improvisadas.
Deito-as, juntas. E deixo-as, na esperança que durmam até de manhã.
Ainda não dormiram. Ora acorda uma. Ora acorda a outra. Ora, ambas...
A única certeza é que de manhã, uma delas, vai estar no nosso meio.

22.1.13

O sangue na morte

Os funerais são tristes.
Com chuva, granizo, vento e frio tornam-se demasiado pesados mesmo perante uma morte que em breve esquecerei.
Talvez esqueça esta irmã da minha avó que nunca deu filhos e a quem atropelaram mortalmente o companheiro da vida. O tio Cunha de cabeça calva coberta pelo chapéu e boca fanada.
Deles eventualmente esquecerei. Mas, nunca do seu gesto de amor. Não foram progenitores, mas foram pais. Acolheram uma mãe solteira com um bebé de colo. Deram-lhe abrigo como se o seu lugar tivesse sido sempre aquele.
E esta tarde, enquanto o padre falava de família e de sangue, dei por mim a pensar que naquela igreja éramos apenas cinco os familiares de sangue. Mas na fila da frente, lado a lado com a urna fechada, estavam mãe e filho por ela criados.

Just. Friends

De vez em quando sentamo-nos a três. Como nos tempos de liceu que tantas vezes, a três, seguimos de mota.
Não comemos pão com manteiga nos degraus dianteiros da escola. Quando ainda debatiamos as especificas e a universidade.
Não éramos desempregadas porque tampouco fazíamos parte da população activa.
Preocupava-nos os exames e as horas de liberdade ao sábado à noite. Ouvíamos Spice Girls.
Hoje barramos o pão com compota, de perna cruzada e bebemos vinho.
Discutimos a crise. O desemprego. Pós graduações...? Até equacionamos emigrar. Timor. Noruega. Brasil...
E desabafamos sobre os filhos que temos e sobre os que ainda vamos ter.
Às tantas, pergunto-lhes do meu cabelo. Das pestanas. E como que a sacudir o pó da conversa gasta que o Governo nos impõe decidimos ali, de perna cruzada, que vamos viajar.
Haverá raciocínio mais coerente do que esse?

21.1.13

We'll always have Paris




Assim te espero de manto branco por mais uma semana.

Report









O Mário Soares já está em casa e pode finalmente receber o Marcelo que disse ontem à Judite que tinha falado com ele ao telefone e que foi quase imediatamente desmentido pelo João Soares porque o pai, com uma infecção aguda do cérebro, só tinha estado à conversa com o secretário geral do partido que o próprio fundou, António José Seguro.
Entretanto, Manoel de Oliveira voltou ao hospital. Está com gripe e 104 anos obrigam a bem mais que benurón e canja de galinha.
O Obama tomou posse e eu juro que quase me emociono entre aquele milhão de bandeirinha em frente ao capitólio. A minha parte preferida é aquela em que ele termina com a frase "so help me God", ainda que a mesma não faça parte do protocolo.
Mr President discursa como ninguém. A palavra mais usada foi "together" e este ano, para compensar a falta de pelo menos 800 mil americanos face à última tomada de posse, Obama, proferiu, na sua intervenção, a palavra gay.
A minha última tia avó morreu, sem que nada o fizesse prever. Mulher terna, de cabelos brancos e passos lentos. Sofria do coração. Morreu não se sabe de quê. Junto do tribunal impediu-se a autópsia.
Mais um morto para juntar ao rol que me têm passado pela pena nos últimos dias.

Eugénio de Andrade (porque o diz melhor que eu)



Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

On and on



É assim, ter até tenho. Confesso que no roupeiro ainda resistem uns três vestidinhos com a etiqueta do Natal.
Mas, alguém no seu perfeito juízo, tem vontade de se vestir ou estrear roupa correndo o risco de enfiar o salto num charco?
Considero-me num retiro que não sendo espiritual, será, pelo menos de reflexão.
É tempo de organizar ideias. Dispôr vontades na balança. Escrever... principalmente de madrugada. Como esta noite. Na cama, uma vez mais, com as duas, as palavras pediam licença. E abri-lhes a porta, antes que fugissem. 5 da manhã e eu nas notas do iphone. Linha após linha. De manhã, duvidei da pertinência das frases que escrevi praticamente a dormir.


Autópsias, cemitérios e crematórios

No norte, as pessoas - na sua maioria - continuam a recusar autópsias. Não acham graça, a bisturis e alunos de medicina a esmiuçar as entranhas do ente que se foi.
Estão-se nas tintas para o que originou a morte da pessoa que meia hora antes tinha comida bacalhau à espanhola e perguntado o resultado do Vitória. Morreu e isso basta. 
A autópsia não lhe devolve a vida. Não lhe aumenta a conta bancária. Nem acrescenta gramas à caixa do ouro.
A autópsia gera revolta. Insultos antes do luto. Com o corpo ainda quente na maca no corredor das urgências..
No norte, há quem vele os corpos, ainda nas salas de casa. Desmontam-se mesas, arrastam-se cadeiras e dá-se espaço à urna. Porque esta era a vontade do morto.
As famílias compram em vida o espaço de terra no cemitério. Os cemitérios lotaram. E agora não há dinheiro para ampliações. Quem não comprou, não tem terra onde se enterre.
Não há crematórios. E se os há não deitam fumo. Não têm uso.
As pessoas não querem cinzas, no norte.
E não, eu não enlouqueci. Estou só a trabalhar numa reportagem sobre o tema.

19.1.13

To go or not to go

Dormi mais na manhã e tarde de hoje do que nos últimos cinco dias.
Digamos que me sinto assim para o retemperada (também não vamos exagerar na adjectivação), mas não sei mesmo como está o mundo lá fora.
As crianças acabaram de sair com a avó e confesso que me é totalmente estranho este silencio de final de tarde. Mas sabe bem.
A minha dúvida é: não sei se vá... Não sei se fique.

P*** de chuva




Pior que sentir o vento, é ouvir o vento. Com uma pujança tal que parece abanar alicerces.
E lá fora, tudo mexe. É que já nem falo em árvores e folhas caídas. O escorrega das pequenas foi arrastado. O que não é grave se considerarmos os estragos materiais que aqui e ali se verificaram, pelo que li, um pouco por todo o país.
O pior, para mim, é ver as previsões e pensar que a tempestade se vai manter.
Vou fechar as janelas. Aquecer a casa. Colocar música audível o suficiente para não ouvir o vento. E fingir que lá fora o sol brilha.

E tem vezes

Que até o Sporting ganha.

18.1.13

Às vezes

O Ronaldo falha um livre.
O Saramago usa uma virgula.
O Vale e Azevedo paga ao jardineiro.
Tem vezes até que a Fany diz quatro palavras sem usar um palavrão.
Ou o mito do ciclismo era afinal uma fraude.
Às vezes a diva lava o rosto. Desfaz o cabelo. Despe o vestido. Desce do salto.

Carnaval


Mãe que se preze tem um passo, ainda no Natal e o outro já no Carnaval. E mesmo que corresse o risco de esquecer o Entrudo as lojas do chineses não permitem o alheamento. Removem estrelas e luzinhas, mantêm os fatos de Pai Natal e de rena e acrescentam toda a indumentária carnavalesca. Há de um tudo!
Eu sou rapariga para ter muitas ideias. Mas, entre a idealização e a concessão vai uma distância maior do que o rabo da Susana. Por isso é que conto contigo.


Há casamento e adivinhem?! Fui convidada!!!













De olho em tudo o que mexe.