30.11.12

Era gaja de passear neste Smart




Posso ser ambiciosa?

Primark festa

Red Valentino

Red Valentino

Este look da Mango marchava todo



e já agora o primeiro vestidinho da lista que se segue

Blanco

É cada uma!

Foi uma senhora ao A Tarde é Sua provar, com a máquina da verdade, que o marido é o pai da filha mais velha.
Não seria mais fácil (e fiável) um teste de ADN?

Vejam se percebem

O Pinheiro sente-se.




Pinheiro

Pinheiro com chuva é literalmente um balde de água fria. No corpo e nas caixas.
Convida a alguma criatividade para cobrir as peles e mais agasalho para aquecer, além do álcool.
Quando se é jovem a chuva é apenas um contratempo que se assemelha a uma castanha podre que encontraste nos rojões.
Quando, como eu, se vai ao Pinheiro, com crianças, a chuva fode-te a noite.
Teimas em ir, até porque a mais velha está irredutível, de caixa às costas. E porque é tradição. É o Pinheiro! Tens que ir, nem que seja só para o ver na sua extensão de símbolo de virilidade. Nem que se seja só para ver os bois. Ou ouvir o rufar afinado das caixas.
E vais. Nem que lá fiques menos de meia hora.
A chuva aumentou de intensidade. Aos mãos da Constança eram um cubo de gelo. O pêlo da minha estola escorria.
Ordem de marcha para o aconchego do lar.







29.11.12

Um cheirinho a Pinheiro






Alisamento

Já me fartei de dizer isto, mas vou repetir. Sou ruiva. Cenoura, mesmo. Os meus cabelinhos da zona da testa são laranja.
Vai daí, como ruiva que se preze tenho uma grande juba. Tenho cabelo em quantidades industriais. E em circunstâncias normais um cabelo meu equivale a quatro das outras pessoas.
Antes dos 10 anos já ia ao cabeleireiro semanalmente porque a minha mãe sentia-se constrangida com a minha juba, numa altura que para mim, sinceramente, era para o lado que dormia melhor. Mas, com 10 anos eu queria lá saber se o meu cabelo era rebelde??? Lembro-me de ripostar, de fazer queixa ao meu pai que ela me obrigava a esticar o cabelo.
Entretanto, a minha mãe achou que se o mantivesse curto conseguia domesticá-lo. Foi o maior erro da vida dela com repercussões na minha (se me lês mãe, ainda não te consigo perdoar).
Fui crescendo e o gajo começou a embaraçar-me. Mas o cabeleireiro também não era solução. Vinha de lá com mais volume que o Abel Xavier e corria a enfiar o capacete (sim, eu andava de mota) que em casa trocava por um gorro. Não tinha coragem de sair à rua depois de secar o cabelo no cabeleireiro.
Mantive esta técnica. Até ontem. Altura em que fiz um alisamento brasileiro. Sem químicos. Mas, moroso para cacete.
Parece que fui lambida por uma vaquinha.
Já dormi e o gajo continua obediente. Aliás, tão obediente que o meu marido lhe pôs a mão e estranhou (sem saber o que lhe tinha feito). Depois de lhe explicar, não é que teve a lata de se lamentar, "não estou acostumado a sentir tão pouco cabelo. Não sei se fizeste bem".
Uma mulher atura cada uma!

29 de Novembro

Dizer que é a noite mais longa do ano em Guimarães é básico. O leitor que não vive cá, desconhece a noite do Pinheiro, vai imediatamente lembrar-se da passagem de ano e remeter a noite de hoje para uma escala menor. Enquanto vimaranense, posso assegurar-lhe que, nós, gente do berço, esperamos com mais expectativa que se erga um pinheiro do que se abra um champanhe.
Dizer que o Pinheiro é um cortejo do próprio do pinheiro (árvore) puxado por bois e seguido por milhares de pessoas, a pé, enquanto batem baquetas em caixas e bombos, é não dizer grande coisa. O leitor estará a perguntar-se "que piada é que isso tem?".
Musica ao vivo? Pois que não há.
Comes e bebes? Pois que sim, o segundo. O peso, das caixas e dos bombos, faz sede, sim senhor. Bebe-se um (bom) bocado, admito.
Conquisto a sua atenção se disser que toda a gente usa chapéu? Gorros, barretes... Tudo o que der para enfiar na cabeça...
Posso acrescentar que o cortejo é composto por milhares de pessoas. Velhos e novos. Pais, filhos, avós. Vão para tocar... essencialmente para tocar. Mas há quem se enfileire nas margens para ver o monumental pinheiro que simboliza a virilidade.
Não parece grande coisa? Asseguro-lhe que é.
Se não puder vir este ano, no próximo, reserve a noite de 29 de Novembro.
E traga um chapéu.



Esta só os vimaranenses entenderão

28.11.12

Amanhã conto tudo

Despedi-me da minha juba de leão.
Passei cinco horas no cabeleireiro, mas saí de lá com o cabelo mais escorrido que a Catarina Peixoto.

Contra factos...


Antes


Depois

Agora

O PM envelheceu

Será que a Judite entrou naquele famoso elevador com a menina fantasma? Para ter ficado assim, só pode.

Surprise, surprise!




Estava muito murchinha, mas estes presentinhos que chegaram pelo correio já me aqueceram o coração.
Quero agradecer à Marisa Rodrigues (embora não saiba quem é) revendedora da Yves Rocher que se excedeu ao presentear-me com este mimo.
Pode parecer só gratidão, mas dessas marcas que se vendem por catálogo a minha favorita é mesmo a Yves Rocher. Encontro sempre alguma coisa que nem sempre faz falta, mas que quero experimentar.
Mais logo vou deixar aqui a informação para poderem fazer as vossas encomendas através da Marisa.
Muito obrigada.

Em Guimarães

Aconteceu isto.
Infelizmente, é tão recorrente quanto chocante.
E se às vezes dar uma criança / um filho(a) para dopção pode ser um acto de amor, este tipo de abandono é  hediondo. É uma morte antecipada.  Um recém nascido foi esquartejado pelas máquinas de triagem de tratamento do lixo.
Alguém deixou aquela bebé ali. Provavelmente porque pensou que uma vez no interior de uma trituradora jamais se encontrariam vestígios. Pois, encontraram-se. E não foi bonito de ver. Tive amigos no terreno, alguns acostumados a fotografar acidentes de viação, com vítimas mortais e nenhum se lembra de ter visto algo tão horroroso quanto aquela bebé triturada.
Há amores difíceis de dizer. De entender. O amor por um filho afigura-se indescritível. Ninguém se lembrou ainda de inventar uma palavra tal que encerre um sentimento assim.
Eu que não sou um poço de bondade, que sou quase sempre fria e pratica, que tantas vezes as lágrimas alheias são para mim apenas isso, alheias, dou comigo a pensar, como se explica um desamor como este?

A tosse é mais eficaz que o despertador



Acordei com a Constança a trepar a cama. Encolheu-se entre o meu corpo e o do pai. De mansinho, pediu leite.
Devorou o biberão e adormeceu.
Antes das 7 já eu estava em desespero com uma tosse compulsa e só pensava numa criança que acabou nas urgências com injecções de adrenalina.
Decidi levantar-me. Continuei a tossir. A seguir, tossi mais um bocado. Acordei as miúdas.
A Carolina limitou-se a trocar de cama. Entrou na minha, agarrou a irmã e tapou-se.
O marido vestiu a mais pequena. A maior começou a vestir-se sozinha.
Tossi mais uns minutos.
Descemos. Alimentei-as. Meti-as no carro.
Despachei a primeira.
Abasteci o automóvel e vi que estão a montar um carrossel no Intermarché. Soube pelo funcionário do posto que oferecem fichas a quem fizer compras superiores a 15 euros, que também vai haver música ao vivo, um Pai Natal e que a festarola se estende pelos Sábados de Dezembro.
Despachei a segunda.
Fui tomar o pequeno almoço. Provei uma compota de cenoura que gostava de ter cá em casa.
E regressei à cama. Estendi as pernas ao sol e estou aqui a pensar que estou farta de muita coisa.

27.11.12

Mas o que é isto???


Afinal a moça é uma santa, não levou carro nem depenicou o recheio de casa.
E mesmo não tendo ainda lido a entrevista posso adiantar-vos, em primeira mão, o que a Lucy disse. Pois que a relação saiu reforçada. Que a distância fê-los compreender o amor que sentem um pelo outro e que foram vítimas da "invejidade alheia".
Entretanto, pelo sim, pelo não, continuas sem tocar no Porsche Panamera.

Expliquem-me bem devagarinho

Diz o Gaspar que a economia vai crescer em 2014 e o desemprego vai recuar.
O ministro falava no encerramento do debate parlamentar do Orçamento de Estado que foi aprovado pela maioria PSD e CDS (com um voto contra de um deputado parlamentar).
Entretanto, este Natal voltam a ir-nos ao bolso. E eu, reconhecendo toda a minha ignorância para finanças, contas pessoais e que fará contas públicas, tenho uma dúvida. Não era inconstitucional???? Não foi isso que disse o Tribunal de Contas???? Não é suposto o Governo corrigir o erro que cometeu com os funcionários públicos e pensionistas??? E em vez disso, passa para cá mais 500 euros que assim, em vez de bacalhau compras umas fanequinhas.
José Gomes Ferreira estás por aí pá?

Há lá trabalho mais lindo que o meu?


E se de repente te cruzasses com uma cabritinha (pode ser uma cabra ou um bode, mas não sou especialista na espécie)  no meio das municipais onde Judas perdeu as botas?
Chamavas como se fosse um cão e tiravas-lhe uma foto.

Esta noite tive um pesadelo

A Zara estava em liquidação total. Motivo: obras.
Aliás, no interior da loja misturavam-se clientes com serventes. Havia cimento, charcos, pedaços de tijolo pelo chão. E algumas peças imperdíveis. Lembro-me bem de um casacão verde e de um castanho que agarrei com unhas e dentes. E também de um chapéu.
Quando me preparava para pagar alguém me disse que só podia gastar 60 euros. Tipo aquelas promoções do Intermarché que só permitem 4 frangos por pessoa. Nesses casos, vai a mãe, a filha, o pai, a cunhada e a vizinha que coitada, vive só e não precisa de tanto frango.
Pois eu estava sozinha e tive de optar. Larguei o casaquinho verde que imediatamente me desapareceu dos olhos.
Quando acordei fiquei aliviada porque afinal não tive de abdicar de nenhum amor.

Carolina



Sempre fui boa aluna. Modéstia à parte, estive sempre no grupo dos melhores.
Não era muito estudiosa, mas sempre fui relativamente inteligente e atenta o suficiente nas aulas para as notas serem boas no final dos períodos.
Também era uma criança educada, bem comportada e disciplinada que nunca sentiu dificuldades em acatar ordens. Ora, a minha Carolina é tudo isto. A professora acabou de confirmar na reunião que tivemos há instantes.
Além disso, a Carolina é excelente na Matemática.
O seu calcanhar de Aquiles é a ortografia. São os erros, gente! A rapariga distrai-se enquanto escreve. Não coloca acentos, às tantas junta ou separa palavras e mais uns quantos atentados.
A professora não valorizou em demasia e sugeriu que continuássemos as duas atentas.
Ou seja, foi uma conversa sem surpresas.
Conheço a minha filha melhor que ninguém.
Educo-a em casa e investi na educação dela num dos melhores colégios de Guimarães.
Nunca a Carolina teve um "recado" na caderneta. Não houve ninguém que se queixasse de vocabulário impróprio ou má educação.
Mas, em casa, connosco, às vezes (vezes demais, diria) estica-se. Tem crises de adolescência. Tranca-se no quarto. Chora lágrimas de crocodilo. Dramatiza. Maldiz "esta mãe", "esta irmã" e "esta família" e tem vezes que nem a cadela escapa.
Já simulou que fugia de casa e deixou claro que ia direitinha à Segurança Social porque a irmã estragou-lhe os marcadores e a mãe não se abala de casa às 8 da noite para ir comprar outro estojo.
Mas, as suas queixas são mais vastas. "Sou vítima desta criança há dois anos. Puxa-me os cabelos, atira-me com coisas, rouba-me brinquedos, usa a minha roupa, quer sempre o que eu estou a precisar e a paciência tem limites. Quanto tiver namorado saio imediatamente desta casa". Tem momentos que é assim.
E nós rimo-nos escondidos.
Mas, esta Carolina, que podia encabeçar a manif de hoje em frente ao Parlamento, é uma completa estranha  para a professora e tenho para mim que se lhe contasse tão pouco acreditava.

26.11.12

Sempre que vejo este anúncio apetece-me ser cliente Optimus



Cá em casa quando se ouvem sininhos pára tudo em frente à TV.

Estou em apuros

Aqui o meu estaminé diz que não posso publicar mais fotos, que não tenho espaço, que já esgotei o armazenamento que ele gentilmente me concedeu. E agora, se quero continuar a ilustrar os posts tenho que pagar por espaço extra. E o pior é que nem sei como fazer isso.
Queria tanto mostrar-vos uma foto da Pipinha com uma camisola de Natal. Mas, podem sempre ver aqui.
Bom, na verdade, gente esperta e desenrascada queria mesmo era que me dissessem como descalço esta bota. Porque isto de não poder mostrar o estilo das meninas, o cortiço do marido, as minhas comprinhas.... e a rubrica de sexta-feira...?
Help me, please.

Enquanto puder, vou fantasiar



Já aqui disse que a Carolina continua a acreditar no Pai Natal. O que para mim é um gozo, mas também intrigante.
Aquela miúda que por acaso é minha é a curiosidade em pessoa. Pergunta tudo. Ainda andava no colégio quando me questionava se já tinha pago a luz e se não me assustava ter de pagar a casa todos os meses e durante tanto tempo.
Este Sábado foi tirar a foto da praxe com o Pai Natal e a primeira coisa que disse foi "aquela não é a voz do Pai Natal...que vozinha parva aquele tinha...o que queres este Natal? Ai se te portaste bem, vou-te trazer...Quem era aquele mãe? Um funcionário do shopping?".
Bom... Não... Um funcionário da Lapónia... Aquele normalmente alimenta as renas, mas como o Pai Natal anda tão atarefado, mandou-o a ele tirar fotos com as crianças no shopping.
Na escola o grau de dificuldade também aumentou. Mas, ela mantém-se firme neste propósito de viver em fantasia enquanto puder. Eu acho-o uma espertalhona, porque foi por acreditar na Fada dos Dentes que recebeu um presente de todas as vezes que os seus ratinhos caíram. E é também por acreditar num senhor que dá a volta ao mundo numa noite que dá largas à imaginação e pede tudo o que quer porque para o Pai Natal os presentes não têm preço.
A Constança ainda não se deixou conquistar. Deus me livre aproximar-se e nem o carrossel a convence. Acena-lhe de longe, tipo, "não te esqueças de me trazer qualquer coisinha, não me chego aí porque estou constipada e não te convém adoecer numa época que tens tanto trabalho".
Na sexta já comprei o presente da Carolina. Aproveitei o desconto de 50% em cartão no Continente e lá vim para casa com o 504º Nenuco.
Ainda estamos indecisos com o presente da Constança porque quando lhe perguntamos o que quer repete os pedidos da irmã. Mas até 24 de Dezembro, nem a cadela vai ser esquecida.

Meio gás



Acordei pior do que me deitei.
A Constança pede-me para falar direito. Chega a irritar-se. Com esta voz à Olavo Bilac. A Mary ligou-me e pediu-me duas vezes que repetisse. Também não me entendeu à primeira.
Remeto-me ao silêncio interrompido por esta tosse, persistente como se tivesse comido amendoins picantes.
Evitei ao máximo ligar o ar condicionado, mas o sol vai e vem e tenho frio.
Vou chupando Halls calm mel e limão sem grande esperança que me tranquilize esta gana de tossir.
Por hoje ainda me safo. Tenho trabalho de computador. Posso me tapar por baixo das penas do edredón. Mas, amanhã devo regressar às margens do rio Torto.
Chefe, não sei se estarei preparada.

25.11.12

Valha-nos santa Casa

Que melhor programa para Domingo do que a Casa dos Segredos?
Para o momento que acabamos de ver ser ainda mais hilariante só a Teresa Guilherme, agachada com a mão entre as pernas a dizer "ai que me pingo toda".

E agora, só porque sim, era expulsarem o Jean Mark.

Ler é uma boa opção


O que é que eu vou fazer com esta chuva?



Mayday...mayday



Pois que apesar de ser bicho ruim, de quando em vez, ainda acontece para aqui uma desafinação dos órgãos.
Ainda não tinha sentido a garganta arranhada este Outono, até agora.
Na verdade, é mais que arranhada. Estou afónica. O que para mim é uma espécie de paralisação geral porque uso muito as cordas vocais. Em casa, na gestão familiar, tanta vez à base do ruído, ou profissionalmente. O que faço eu sem voz? Mais ainda nesta quadra em que passamos o tempo a cantarolar as músicas natalícias...
Tenho tosse, também. Odeio tosse. E frio e o ar condicionado está em 26 graus.
E é isto, uma pessoa adoece e numa tentativa fugaz de regresso à vida saudável fica a saber que a Tracy e o Wilson estão de caso e que em Hong Kong inventaram cemitérios flutuantes, tipo cruzeiros para mortos. Não me parece mal, não senhor.

22.11.12

Das melhores sensações

Descer dos saltos, entrar numa cama quente. E esperar que a noite siga sem ruídos transversais... Dormir de uma vez só.

Cheguei!



E confirmei (once again) que é tão mais quente na minha cidade e que a campanha da Rádio Popular é uma tanga.
Ainda bem que vesti este casaco e troquei a saia pelas calças.
Arrisquei em não meter gasóleo, mas tive sorte e no regresso liga-me a prima, como de costume, a pedir que a acudisse porque tinha ficado outra vez na estrada. E eu, pela primeira vez, não lhe deitei a mão.
Estou faminta. E não me descalcei. Daqui, enfio-me directamente na cama. Se bem que antes tenho de convencer a Constança que não virá nenhum furação. Desde o Sandy que a Carolina meteu na cabeça que a qualquer momento uma tempestade vai devastar-nos a cidade. E a Constança acredita, "mamã um vem fuacão? A noxa caja vai abaixo? E a da tia Xina?".
Estiveram ambas nos tios até agora, aquecidas pelo aquecedor de gás. Encontrei-as já comidas e em modo isto já é tudo meu, olha só como ponho o rádio a tocar se carregar neste botão.
Assim me vou.


Mais logo



Gosto de voltar cedo a casa. Naquela altura que o dia se despede. As luzes já estão acesas. E a lua ganha forma no céu.
As meninas brincam na sala enquanto lhes faço torradas.
Subimos e enfiámo-nos as três na banheira. Brincámos.
Descemos. Aqueço-lhes a sopa enquanto a Carolina faz os trabalhos de casa.
Preparo o dia seguinte.
A noite parece distante, ainda.
Posso deitá-las às duas. Uma de cada vez.
Mas, hoje...oh hoje, vou chegar tarde a casa porque daqui a nada meto-me no carro e viajo até ao fim do mundo.
Tenho quatro entrevistas agendadas. E não tenho hora para regressar. Mas certamente, será já noite cerrada.




Se é para mentir



Não gosto de gente cobarde. Faz-me comichão aquele tipo de gajo loiro, olho claro que cresceu a limpar a loiça do jantar e que desde os quatro anos não sai de casa sem fazer a cama.
Inquieta-me essa espécie, cabisbaixa que caminha como se o mundo lhe pesasse nas costas.
Enjoa-me esse exemplar que te cumprimenta com dois beijos na face, que tece comentários simpáticos dos teus filhos e que estende a mão ao teu marido.
São os profissionais da mentira cobarde. Daquela que suja as calças. Que envergonha. Que prende os olhos ao chão (como se o mundo te pesasse nas costas).
Tal e qual como tu és.


That's my girl



Hoje correu bem. Sem invenções. Nem acessórios dispensáveis.
Saiu assim, em modo pipoca. E consciente do seu estilo.
O vestido e a camisa são Microbe e já pertenceram à irmã.


21.11.12

Not again

O meu dentista acabou de me enviar uma mensagem para não me esquecer da consulta de sexta feira.
Doutor, isso era tudo que eu não queria lembrar.

Do meu querer

Eu queria uma jóia. Valiosa. Ou uns Louboutin.
Queria uma viagem ao Rio. Ou então a Nova Iorque. Na pior das hipóteses podia ser Paris.
Queria um carro novo. Só para mim. Para passear ao final de semana, sem cadeirinhas, toalhitas, chupetas e Nenucos pelo chão. Nem era preciso uma mala muito grande, desde que coubessem alguns sacos de compras.
Queria remodelar o meu escritório. Mudar-lhe as cores. Mudá-lo radicalmente, na verdade.
E quero isto


ou isto


ou os dois!

(entendeste marido?)

A Constança foi para o colégio de boné.

Eu tentei persuadi-la. Mas, não fui capaz.
Não é que ela não estivesse fofa com os caracóis rebeldes a saltitarem a cada passo, mas não me combinava. E começo a temer pela minha reputação. Tento não cometer muitos atentados ao bom gosto, mas não está fácil desde que me nasceu uma mulher assim que impõe a sua vontade à minha.
A semana passada calçou Adidas com Blumarine e hoje apareceu ao colégio de boné da Disney.

20.11.12

Dias como o de hoje



Hoje tenho muita coisa para contar. Mas não posso. Lamento.
São dias. Não sentes o frio. E nem te apercebes do agravamento do tempo.
São horas. Velozes.
Estradas novas. Em velhas (e queridas) paisagens.
São cabelos que se soltam.
Foi um dia. Ou meio.
E no meio de tudo isto, chegou - finalmente - o gás natural.

Desfiar


Falo demais. Coisas que às vezes nem se dizem.
É uma espécie de necessidade de palavrizar (acabei de inventar esta palavra) tudo. Mesmo quando o toque basta.
Maneiras que acabei de incorporar neste belo cortiço este botãozinho que tenho para mim me será de grande utilidade.

19.11.12

Hoje julgaram-me burlona



Primeira reacção: Isto está mesmo a acontecer?????
Segunda: saltar-me a tampa.
Terceira: respirar fundo; 
Quarta: engolir o sapo.
Quinta: sair.

Em poucas palavras foi isto.
Estou há vários dias em reportagem numa freguesia distante. De um concelho pequeno. 
É uma aldeia. Envelhecida. Só lá vivem velhos e crianças. Não há jovens. Emigraram ou imigraram. E os que ficaram, só a usam como dormitório.
Mas, é boa gente como o vinho que produzem e a laranja que colhem.
O presidente de junta é um homem inteiramente dedicado à autarquia local e sempre disponível. Pedi-lhe que me referenciasse um idoso que ali tivesse nascido e sido criado. Indicou-me o seu padrinho com mais de 90 anos, intelectualmente são e ainda condutor de veículos de duas rodas. Deu-me a morada. Fui ao seu encontro.
Depois de estropiar (tinha mesmo que usar este verbo), apareceram dois idosos. Apresentei-me, praticamente aos gritos porque os ouvidos estão gastos pelo barulho da mota. Expliquei-lhes porque ali estava e perguntei se podia perguntar-lhes umas coisas. As simple as that..
A mulher olhou-me de lado. Pediu que me afastasse da porta da entrada. Nem o nome me quis dar.
Para deixá-los mais seguros liguei ao presidente de junta que falou ao padrinho e lhe transmitiu que eu era de confiança. Ele ficou convencido. Ela não.
Mas, acabamos por conversar e até saí dali a pensar que tinha ganho a confiança do casal. Até porque foi a mulher que depois me indicou a morada de outra pessoa com quem queria conversar.
Despedi-me.
Quando estava noutra casa, à conversa com uma mãe do coração irrompe porta dentro um homem alto com cara de malvado, caneta na mão.
 - A senhora quem é?
 - Andreia Lopes, como está?
 - A senhora não sabe que não pode ir sozinha ter com idosos? - confronta-me aos gritos.
 - Desculpe?
 - E vai-me mostrar imediatamente o que era o papel que estava a escrever.
 - Eu sou jornalista (saquei da carteira e tudo), estou na sua freguesia em trabalho. Expliquei ao que fui. Mais,  pus os senhores a falarem com o presidente de junta que também é afilhado. E não admito que em circunstância alguma questione a minha seriedade e é isso que está a fazer.
 - Eu já lhe tirei a matrícula. Está aqui - gaba-se de papel no bolso e caneta na mão - não pode ir ter com idosos - insiste.
 Tirei os meus apontamentos e fiz questão de os mostrar. Não devia, porque o homem imediatamente mos roubou (é esta a palavra).
Respirei. Liguei ao presidente de junta que do outro lado se mostrou claramente envergonhado.
O homem arrancou-me das mãos o telefone. Gritou com o presidente de junta.
Devolveu-me o telefone e desapareceu com a folha do meu notebook.
Novo suspiro.
 - Ai menina, estou toda a tremer. Desculpe. O meu filho devia de lhe ter batido...
 - Estive quase - acrescenta o filho.
 - Está tudo bem, não se incomode. O importante é que a senhora entendeu a razão da minha presença aqui e eu agradeço-lhe a disponibilidade.
Saí. Entrei no carro. Liguei para partilhar o que me tinha acontecido quando me voltam a estropiar no vidro do carro.
 - Menina, está a falar com o presidente de junta? - perguntou-me o filho
 - Não... - respondi.
 - Então ligue-lhe porque ele já tem o seu papel. Aquele homem é casado com uma professora, mas é assim, um parolo. 
 - Estou toda a tremer - insistia a senhora.

E assim, desta forma divertida, terminou a minha manhã.

RIP



Este foi terceiro iphone que adquiri. Em Maio. Há apenas seis meses. Era a menina dos meus olhos. Ofereci o preto ao marido e comprei este. Disfarçava-o de coelho, vestia-lhe uns tigresses, até lhe chegava perfume. Usei-o sempre em segurança. Mas, ontem, mesmo com a capinha vestida, estava a bicha quase a ir deitar-se quando, como os demais que por cá passaram, sofreu na pele a ira da mai nova. A Galinha Pintadinha não abriu em menos de dois segundos e pequena mafarrica atirou com ele contra o roupeiro.
Está deformada a minha iphona. Mas tem cura. E em breve chegará de Inglaterra.
Entretanto, disfarçamos as imperfeições com make up.
E só porque estou a desabafar, o primeiro iphone - que também era menina - morreu vítima de afogamento. Foi empurrado, pela Carolina, para a piscina.
O segundo, pelas mãos da Constança foi direito ao paralelo. Recuperou, entretanto. E este, o membro mais novo, ontem voltou a sofrer às mãos da pequena.