29.6.11

Hoje, sim, Angélico



Custa a acreditar que o Angélico morreu. Tenho a sensação que a qualquer momento vai aparecer no Fama Show e vamos vê-lo com aquele ar de puto descontraído numa onda "tass bem". Era essa a ideia que tinha dele.
Há a ideia que as figuras públicas não morrem. E a verdade, é que só deixam de ser vistos, aos nossos olhos de cidadãos estranhos e anónimos. Não era apreciadora da sua música. Não era fã. Mas, choquei com a notícia do acidente. E uma vez mais confirmei que somos todos potenciais vítimas.
Eu conduzo e viajo sempre de cinto segurança. É um hábito que adquiri e que as entidades também se foram encarregando de demonstrar a sua utilidade ou de a impôr através da punição. Mas, neste acidente ficou provada que a diferença entre usar e não usar pode ser a diferença entre viver e morrer. Bater a uma velocidade de 50 quilómetros, sem cinto de segurança é como cair de um quarto andar.
É claro que também achei um pouco carnavalesco o aparato. Os amigos e pseudo-amigos que fumavam e choravam à porta do hospital. O desfile de meninas em trajes menores para paparazzi fotografar. E as fugas de informação ou a desinformação a que assistimos nos últimos dias. Parecia enredo de novela. Ai está em morte cerebral. Olha que não porque ele até tem reagido a alguns estímulos. Agora é que é, está clinicamente morto. Qual é a diferença entre estar morto e clinicamente morto??? Acho que a dada altura até se avançava com a hora da morte do rapaz..."vão desligar o suporte de vida dentro de 10...9...8...7... E o óbito será declarado às...". Mas, o que é isto??? Se o rapaz se aguentasse por mais tempo faziam como os ingleses fizeram com o Villas Boas e e criavam um site com um relógio para contar os segundos, horas e minutos em que se aguentará no Chelsea.


E por favor, usem cinto. Não há super heróis.

28.6.11

Não me apetece

A sério não me apetece falar do Angélico...Hoje não...

Carolina e a caixa mágica

Reparem na caixa rosa choque aos pés da Carolina. É uma caixa mágica que não larga, nem para comer uma goma de coração ou para esconder as estrelitas. No seu interior tem dezenas de contos. Já lemos uns quantos e reconheço que mais pela disciplina dela do que pela minha. Há noites que sucumbo. Outras em que se misturam palavras com bocejos, mas às vezes também corre bem. Lemos e fazemos a interpretação do conto.
Eu acho que todos os meninos deviam ter uma caixa assim. Que guarda muitas histórias.

Nada me ocorre que soe melhor que caos!!!



Quem pode, manda. Parece simples. Linear. Mas, não é. Porque também é preciso saber mandar. E tenho visto que isso sim, não é para qualquer um.
Quando tens razão fazes o quê? Resignas-te? Ou esgrimes argumentos até ficares vermelha de nervos e com as pulsações a mil? Eu costumo pôr a cruz na opção B, mas como tenho aprendido aquela tanga do silêncio, acho que vou bancar a inteligente e fingir-me de morta. "Ah, desculpe, realmente, mas não, não fiz, não era essa a indicação..". Deve resultar melhor.

27.6.11

96 horas

Internem-me imediatamente após lerem este blog.


Ok. Admito. Quatro dias de descanso é muito (pronto já disse). Reconheço. São 96 horas sem pôres os pés na redação; sem estacionares nas cargas ou descargas ou sem tirares o tiquete dos parquímetros. Até a PM deve ter estranhado tamanha ausência. 96 horas sem olhar a maçãzinha do MAC. 96 horas sem dar aos dedos... Eu sabia que o regresso seria desastraso. Pois, confirma-se. Atura-se a birra do chefe. Olha-se a paginação uma vez e outra e quase aos 30 ficas a saber que a vida è dinâmica e que em quatro dias muda muita coisa e a paginação que tinhas feito há 96 horas não vale de nada porque ele - o chefe - decide mudar tudo! E a quem cabe a árdua tarefa de apanhar os cacos???? Vá, adivinhem... Ofereço pin's do BE, dos que sobraram da campanha e do passatempo do Facebook...
E depois este calor que não rima com lindos e longos cabelos loiros arruivados. Tenho percebido que calor não rima com tantas outras coisas...por exemplo, bebés a dormirem uma noite sem parecerem uma bica e sem rezingarem...

E é tudo... 96 horas de descanso com um jornal para fechar é muito!

26.6.11

A contagem final

O último dia dos 4 de descanso está a dar as últimas. Praia, S. João, sardinhas e calor. Só não corresponderam no capítulo da economia. Os saldos já te lançam aquele olhar através dos vidros ou as chamadinhas de circunstância e não houve assim um trapinho por quem desse a vida. Vesti. Despi. Questionei. Hesitei e acabei por largar o que me suscitava dúvidas.
Hoje entrei oficialmente em contagem decrescente para as férias. Falta um mês! Nem mais. Nem menos. E esse lento e comprido mês de Julho não me assusta. No início há aniversários. No meio, um casamento e no fim, o merecido descanso. Entretanto, muito trabalhinho (nem penso no que me espera amanhã...até tenho medo). E também sei que às vezes falo e não digo nada. Outras vezes, só não tenho o que dizer.

24.6.11

200 gramas mais pesada


Estamos cá por breves momentos. Na quarta estive entre entrevistas e vacinas com a benjamim. Chorou baba e ranho, como, de resto, se previa. Eu fiz das tripas, coração, para não ceder ao xanax. Quando saí de lá pesava menos 10 quilos.
Ontem, fomos à praia. Não foi a estreia da Constança, mas quase. Veio de lá mais pesada. Pelas nossas contas terá ingerido cerca de 200 gramas de areia. E ingeriu-a das mais variadas formas. Mas, adorou! Passeou-se de biquini e nua. Caiu. Voltou a cair. Arrastou-se. Enfiou-se nos buracos da irmã. Rastejou. Eu é que a dada altura já não conseguia olhar para ela tão preta e decidi vir embora (fotos em breve).
À noite, em vez de arraial, fui com o marido a um bom restaurante. O povo de sardinha na mão e nós de guardanapo no joelho. Deixamos as sardinhas para hoje.

22.6.11

A pirralha sabe o que diz

Esta manhã, entre o JN e a meia de leite, dava uma vista de olhos nos discursos do Presidente da Republica e do novo Primeiro Ministro e das linhas gerais que os uniam.
A Carolina olhou para o Cavaco e disse: tira-me daqui este Coelhos. Eu corrigi-a. Expliquei-lhe, primeiro, que não era Coelhos, mas sim Coelho e que aquele era o Cavaco, o Presidente da República.

"É igual, mentem os dois", foi a resposta dela.

Uma mulher na presidência da AR

 Merece um post. Ainda mais quando isso acontece pela primeira vez na história da democracia portuguesa.
Ou seja, é do sexo feminino a segunda figura mais importante do Estado.
Chama-se Assunção Esteves e pelos vistos é expert nisto de estrear cargos, porque foi também a primeira mulher juiza no Tribunal Constitucional.
Na primeira intervenção pediu para os deputados reinventarem a democracia e lembrou as mulheres oprimidas.

21.6.11

As palavras...sempre as palavras




Há gavetas que não abro. De tão desarrumadas que estão. Papeis, ou fotos, que sei jamais irei encontrar no meio da bagunça. São palavras a mais que se perderam. Algures entre essas gavetas e a uma caixa que estava em cima do velho guarda vestidos. Nessa caixa também havia cartas de amor. Muitas. De décadas que não as minhas. Mas, as palavras que procuro ainda não estavam lá. Pensando bem, não as cheguei a trazer comigo, desde que me mudei. Nunca mais as disse. Não voltei a ouvi-las. E não me parece que o futuro mas trará. Perderam-se. Irremediavelmente. E com elas levaram outras coisas. O barulho das chaves. O cheiro do after-shave. Os bilhetes do cinema. O assobio. Os cafés de domingo. O tilintar das moedas no bolso. As cadeiras de campismo. E as conversas de horas a fio. As escritas. As palavras escritas que te lia, enquanto te barbeavas. As palavras. Sempre as palavras que fazem a minha vida. E que muitas já perdi.

Reinvenção das Avós



Uma avó é uma mulher que não tem filhos;
Por isso gosta dos filhos dos outros.
As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar
E não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem: despacha-te!
Normalmente são gordas,
Mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo,
Ou uma fatia maior.
Uma avó de verdade nunca bate numa criança;
Zanga-se, mas a rir.
As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando lêem uma história nunca saltam bocados
E não se importam de contar a mesma história várias vezes.
As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo
Não são tão fracas como elas dizem,
Apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó,
Sobretudo se não tiver televisão.


Texto elaborado por um grupo de crianças de Genebra, com 8 anos de idade

*muito bom. Obrigada por partilhares connosco estas pérolas da literatura ;-)

Casa arrumada com o cantar do galo



Sempre que a minha Kiki visita a casa de alguma amiguinha chega à sua com a mania das limpezas. Ele há cada coisa! E assim, como não consigo explicar o que encanta a M no conto "Passeio de Inverno" também não encontro explicação para esta atitude. Mesmo que as mentes perversas pensem, "ah a tua casa deve estar em pantanas", mas não é o caso. A minha mãe (também) tem a mania das limpezas. O sonho dela é ter sempre a casa ao jeito de museu do lar. Chinelos à mostra são impensáveis. Copo em cima da mesa também. Eu acho que é a diferença que inspira a Carolina.
Esta manhã passou-se. Estava eu entre as alisadelas do cabelo e ela a arrumar com todo o afinco as camas, os pijamas, as almofadas. Vestir-se??? Na, não era nada com ela. Mas deixamos a casa com um toque de aprumo pouso usual para as 8 da manhã. E chegou a gritar comigo. "O que é isto de creme largado assim em cima da cama? O vosso quarto é o mais desarrumado desta casa!!! Não têm vergonha?".
É isto. Isto e um novo par de vampiros dos jornais que hoje apareceu pelo pequeno almoço. Inicialmente até pensei que me gabavam a singlet - linda de morrer - mas não, tudo o que queriam era a Notícias TV...de sexta feira. Valha-nos a Senhora da Lapinha.

20.6.11

Para a minha querida amiga que está prestes a concretizar um sonho

A verdade é que não sei se tinhas esse sonho. Escrevi porque achei que assim dava mais graça ao título. Não me lembro de alguma vez teres dito que sonhavas casar. Mas, do que te conheço e da forma entusiasmada com que nos falaste dele, acredito que sim. Não esqueço o início dessa relação porque é do tempo da minha Carolina. É do ano dela. E espero que tenha a saúde, a vitalidade, a pujança, a esperteza e vida que ela tem.
Entre nós, o tempo passa a correr. São muitas as palavras que não dizemos. Os jantares. Os lanches. Os cafés... que faltamos. Já não fazemos festas na tua casa nem nos vestimos de Spice. Já não damos chutos na bola no pelado do Cano e não é por ele agora ser sintético.
O que te quero dizer é o que diz na foto. É isso. E que estarei lá. A torcer por ti.

A última festa

Eles que eram assim tão pequeninos, de repente medem 1.20m...


Ela pede-me a pasta. Estojos de lápis de cor e de cera. Marcadores. Aquarelas. Também já me pediu canas de pesca, mas isso são outros quinhentos. Adora folhas em branco. E fingir que lê. Gosta que eu lhe leia - só eu e a educadora. Não gosta da entoação do pai nem da forma descomprometida com a história como ele lhe lê. Perde-se nas histórias. Entre as folhas e as suas escritas atrapalhadas. Vai começar o 1º ciclo em Setembro. Em casa chamámos-lhe a "escola a sério". Não sei se já se deu conta da mudança. Acho que não. Para ela significa apenas essa panóplia de material novo a estrear. Como eu gostava também de comprar o meu material e estrear a primeira linha do caderno com a caligrafia mais bonita que conseguia.
A verdade é que esse passo está ao virar da esquina. Ao virar de dois meses - mais coisa, menos coisa.
A festa de sábado foi...de festa. Sempre maravilhosa e a envergonhar algumas organizações festivas profissionais. Os protagonistas tinham desde os 0 anos a 16, 17... A minha Carolina agiganta-se naquele palco. Ela que até está numa fase tímida (tipo dá um beijinho ao tio...NÃO!), quando entra em cena é uma estrela. Segura. Concentrada. Ao ponto de fazer ruir de comoção esta esta leoa que se sente velha quando vê assim a cria...tão imponente, tão dona do seu nariz. Quando a chamo para o pé de mim e me diz "não, vou para o meu lugar, para junto da Tuca e dos meninos".
Foi a última festa! Em breve deixarão de se ver. E isso aperta-me um bocado aqui do lado esquerdo do peito.  Conheceram-se quando alguns ainda usavam fralda. Outros mal andavam. Mal falavam. Cresceram juntos, entre trambolhões e babetes na hora da refeição. Entre muito choro - deles e nosso - quando os deixávamos nos braços de quem começou por ser estranho. Hoje, sinto-me grata. Pelo que a educadora fez pela minha filha (e sorte minha fará também pela outra...uma vem, outra vai...). Por tudo o que lhe ensinou. Pelos princípios que lhe incutiu. Pelas vezes que lhe colocou o gancho no cabelo ou pela paciência com as minhas mariquices. Pelos acessórios que insistia que usasse e ela com toda a paciência do mundo voltava a colocar, depois de terem caído 273 vezes.
Vou sentir falta daqueles meninos que aprendi a conhecer e a gostar. Do jeitinho de cada um. Mais atrevido. Mais recatado. E tenho a certeza que ela também.

O debate, a festa e as cavacas



Enfim calor. Esta noite voltei a dormir sem meias. Ah pois, porque todos temos o nosso calcanhar de Aquiles e se julgavam cá que eram só camisinhas de noite todas sexy's desenganem-se. Padeço de uma síndrome qualquer que me dá para ter frio a dormir, como tal previno e prefiro ter que despir a meio da noite do que vestir.
Que bom que é começar a semana logo a meio. Hoje é quarta feira! E a edição está a andar a bom ritmo. Para fazer a concorrência ir a correr à farmácia comprar uma caixinha de conpensan até posso dizer que estamos - praticamente - fechados. Somos gajos competentes.
Na sexta estive num debate com a Campos Ferreira que usava um blazer muito giro, mas umas calças que lhe expunham a barriga. Assim de lado, estava muito bem, mas quando se virava, pronto, ia-se a elegância. Lá está, não se pode ter tudo, tipo autoridade, cultura, oportunismo e ainda ser jornalista e depois ter ventre liso...Era pedir muito... O debate durou quatro horas!!!! Isso quatro - quase meio dia de trabalho! O que gostei mais? Essa é fácil. Sem nenhuma dúvida do Adriano Moreira. 89 anos, lucidez invejável; discurso que se bebe como quem ingere uma coca - cola com gelo e limão num dia de 35 graus à sombra. Isto da sabedoria dos velhos é coisa que me sensibiliza. Esperava da Cristina assim um trapinho mais engraçado, mas cá para mim ela pensou se for discreta, mesmo no meio do palco são capazes de se esquecer que estou aqui, apesar do telemóvel, estrategicamente colocado entre as pernas cruzadas dar um jeitaço. O maridão (jornalista também...qualquer gajo iluminado é jornalista) está aí e safa-me com uma SMS esclarecedora.
O Sábado, diria que foi perfeito com a festa de finalista da minha beija flor, mas essa parte merece um post só para ela.
No Domingo, fui uma fraca. Pecadora. Mereço a forca. Disse que daria mais uma de peregrina e ia a pé à senhora da Lapinha, mas não fui. Sucumbi à minha cama. Desliguei o despertador e deixei-me estar... Tapei-me com a almofada. Como se não bastasse comi (shame on you) três cavacas da bendita santa. Uma já era mau, mas foram logo três e a última para aí à meia noite já na cama como que a dizer ninguém peca como eu. E isto porquê, porque a minha pesagem da semana foi muito satisfatória, então toca a aldrabar.

17.6.11

O poder das palavras



Quase sempre tenho palavras ainda que muitas vezes não sejam mais fortes que o silêncio. Falo quando devia estar calada. Acontece-me tantas vezes e mesmo assim não aprendo. Até a minha filha me chama "boca rota". E já se zangou ao ponto de chorar banho e ranho por partilhar algo que me tinha dito. Não parece, mas falo pelos cotovelos. Quero atenção. Sou monopolizadora. Chego a mandar calar para que eu possa brilhar. Olha, sou assim. Como se não bastasse falo alto. Já fiz um curso intensivo para aprender a falar baixo, mas não consigo. Desisti ainda a formação não ia a meio. Sou minhota, ruiva, com sangue latino. Não se pode esperar grande coisa desta mistura improvável.
Quando termino o dia de trabalho, que por acaso está para acontecer dentro de 10 minutos, vou com fome de palavras ditas. Gritadas. Tenho os caracteres e as páginas do word pelos cabelos. E sim, já falamos de bombeiros. E sim temos trabalho adiantadinho. E sim, já fizemos a edição de umas quantas páginas. E sim, quero o sol que aqui para o berço chovisca. E amanhã é a festa do meu beija-flor. A última. Tenho para mim que me vai custar - mais que a ela - deixar os amiguinhos que fez neste primeiro percurso. Esta leoa (de signo) de coração de pedra, vai ruir.

Inspiração



Vamos falar de bombeiros, sim?

Os feriados também são úteis

E diz que vem muito solinho e calor


Estou ansiosa pelo fim de semana. E pela próxima semana que aí vem que só terá três dias úteis. É assim que lhes chamam. Mas eu também considero útil poder dormir, vá, mais uma horinha. Não me enfiar no trânsito. Não desesperar para chegar a horas. Não ter as próprias das horas. Levar a Constancinha à praia. Não será uma estreia, mas eu encaro como tal, nesta fase que fala, já anda, já se manifesta com a autenticidade de bebé que aos poucos vem descobrindo o mundo. Pois, quinta feira, vai descobrir a areia (são mais pedras) da Apúlia, as barracas - mais pequenas que as da Póvoa - o vento, o mar gelado... Isto é tudo muito útil. E ainda temos o arraial de S. João. Útil mais útil só o dia 27 de Julho, quando entrar oficialmente de férias.

16.6.11

A Carolina quer o bebé glutão. E agora?





Vamos lá falar de coisas sérias. A Carolina viu o jornal da SIC no Domingo à noite e descobriu que o bebé glutão chegou a Portugal. Especou - como de resto acontece quando olha algo que lhe agrada - e correu para mim a perguntar, "mãe o Continente ainda está aberto". "Para...?", devolvi-lhe a questão. "O bebé glutão já chegou a Guimarães e eu quero muito. Se o Continente estivesse aberto ainda podíamos lá ir. Mas olha, ele traz mesmo aquele colete que as meninas tinham?".
Vamos lá a acalmar que para sofrer de ansiedades já chego eu e tu ainda és muito nova para tomar benzodiazepinas. O glutão (raio de nome piroso), tem assim o ar de Nenuco, não só chora, como mama (sim mama) e pelos vistos ainda arrota. Nos Estados Unidos foi um "ai Jesus" porque os pedo vieram dizer que o boneco é assim uma espécie de Zezé Camarinha e incita a uma sexualidade precoce. Mas, os espanhóis, que por acaso o inventaram, não vêm mal nenhum e pelo contrário, até consideram a invenção muito natural. Também não tenho nada contra o glutão, a não ser o nome e o preço, cerca de 45 euros. Aliás, ao tempo que a Carolina simula com os nenucos que os está a amamentar. E até já simulou estar em plena sala de partos.
Cheira-me que vou ceder...outra vez.

Relações

E tudo o que procurámos é um amor assim que se não for imortal seja ao menos infinito enquanto dure


O meu terapeuta disse the "f" word depois de estarmos largos minutos a falar sobre relações. E tenho para mim que não haverá tema mais complexo do que esse. Mais difícil do que discutir o ovo de Colombo. Que dizer por exemplo de uma mulher (como eu, como qualquer uma de nós...) que dormia com um homem que por sua vez dormia com uma faca por baixo da almofada. Depois de muita terapia, o especialista tinha esgotado o leque de soluções, mas a mulher não. E surpreendeu quando revelou o seu maior desejo, assim como um sonho que acalentava para o que lhe faltava viver. "Gostava que o meu marido acamasse e assim podia tratar dele como se fosse o meu menino". Foi exactamente assim que reagi. Não façam essas caras. Nem percam tempo a pensar. Não tentem uma explicação. Não vale a pena.
Ontem procuraram-me na redação. O agressor, acusado de rapto, quis se explicar. A mim, que estou-me nas tintas (perdoem-me a frieza). Ainda lhe expliquei que não era perante a minha modesta pessoa que tinha de limpar a reputação - se é que isso é possível. Ainda lhe sugeri que desse uma entrevista, se tinha tanta ânsia de expôr o seu lado que no testemunho da mulher não existia porque nenhum dos dois foi identificado. Não adiantou. Carregou no play e foi por ali fora. Falamos numa esplanada aqui por baixo que também costuma ser frequentada por miúdos da escola. Tenho para mim que essas crianças tiveram pesadelos ou que a pastelaria perdeu esses clientes. Oiçam isto: "ela diz que eu a tentei asfixiar duas vezes. É mentira. Só uma vez é que lhe fiz um mata leão". Oi????? Um mata quantos???? "Um mata leão, é um golpe de vale tudo que em dois minutos matamos o adversário. É que quem lê pode pensar que eu ia para cima dela e que lhe batia e não era bem assim. Por exemplo, às vezes dava-lhe um estado, outras empurrava-a, puxava-a, dava-lhe um pontapé, mas só isso. E quando a raptei até tive o cuidado de pedir uma carrinha emprestada porque a minha mala é pequena e blindada, e eu pedi uma carrinha com uma mala mais confortável para a poder enfiar lá".
Ok, amigo, olha tenho que ir. Na tua situação procurava imediatamente ajuda. Não sei, talvez um psiquiatra tenha alguma coisa para te dizer.

14.6.11

Um lado e o outro


Às vezes oferecem-me garrafas de vinho, jantares, almoços, cães... Até viagens. Outras vezes, caixas de capas para colchão. Mandam mails. Ligam a agradecer reportagens. Cumprimentam na rua. Até já me aconteceu (o meu marido que não nos oiça) ser cortejada em plena entrevista. Também já foram mal educados, já recusaram falar, e não apareceram quando estava tudo acertado. Já estive numa reunião de câmara aí de um concelho bebé - que cheira-me que em breve deixará de o ser - em que o único tema do período antes da ordem do dia foi uma entrevista que um dos membros da oposição me tinha dado. Levou ele na cabeça e eu por tabela.  Imaginem que até já tive uma quebra e precisei de um copo de água com açúcar. Já me aconteceram tantas que nem me vou preocupar em lembrar-me de mais. Mas, o jornalismo, às vezes, é tramado. Nas duas últimas semanas escrevi sobre violência. Primeiro doméstica, depois - como direi - física. Gratuita. Do primeiro caso resultou que tenho uma mãe à perna porque afinal a minha testemunha que deveria personificar a vítima que apanha de bico calado e depois da Madre Teresa é a mais santa das comuns mortais, é uma grande bisca. E de santa nem o ar lhe vale. Oh pá, mas quem sou eu para desconfiar do que me conta quando o alegado agressor já foi constituído arguido e está formalmente acusado do crime de rapto?
No segundo - que está amanhã nas bancas - o alegado agressor, assim só por acaso é o marido de uma amiga da minha mãe. Mas o que é isto? Somos mais de 100 mil habitantes nesta cidade!!! E tinha que ser o mesmo gajo?! Imagino que nos próximos dias terei mais um inscrito na torcida do contra. A minha mãe até está com medo. Eu? Naaaa. Nem um pouco.
Às vezes é complicado escrever. Acontece frequentemente um dos lados não querer falar. Outras, o outro lado nem sequer é identificado por quem fala, como tal vais ouvir quem?? Não ouves. Mas, neste ovinho que é a nossa urbe - mesmo que tires uma foto de costas e não te identifiques - há sempre alguém que te conhece.
Vamos andando e vamos vendo. Olha amanhã vou ver uma coisa gira. 2012 crianças, de 12 anos vão formar o logotipo da CEC 2012. No final serão libertados 2012 pombos brancos.

Ah (!) ontem o meu terapeuta disse a "f" word. Ups!!!

Ele há cada coisa



Morre-se muito e morre-se todos os dias. Pode morrer-se de nada ou como se nada fosse. Morre-se a horas impróprias, em noites de consoada, nos aniversários da família. Morre-se num dia qualquer, com o último suspiro encaixado numa rotina vulgar. Morre-se sem prognóstico nem diagnóstico. Morre-se com relatórios ilegíveis e cansativos. Morre-se por defeito ou por excesso. Morre-se de tudo, de todas as partes do corpo, de todos os estados de alma. Morre-se na cama, no carro, no trono, na sarjeta. Não se morre injustamente, nem precocemente, nem violentamente, nem serenamente. Não se morre depressa nem devagar. Morre-se num único instante. Morre-se invariavelmente. Morre-se porque não se tem alternativa.

Morre-se exactamente no mesmo dia em que se nasceu, 12 anos antes, atropelado por um camião.

De modos que a "mosquidora" caiu



Carolina: mamã, mamã (aos gritos)
Mamã: já vou, estou a ir...

Entrando no quarto vejo, na penumbra da noite, uma criança envolta em tule...

Carolina: mamã, a "mosquidora" caiu. Acorda o meu pai para vir pô-la.

Não faço a mínima ideia que horas seriam. 5? 6?

Então é assim, Carolina vamos conversar... A esta hora é de todo impossível fazer um buraco na parede. A vizinha (dassss) vem cá e a mamã está assim, como dizer, com sono, e é capaz de a prender na garagem ao escuro, e depois ela apresenta uma queixa contra mim e terei que prestar declarações...

Carolina: está bem. Cala-te e dorme, mas aqui ao pé de mim.

13.6.11

Enfiar a carapuça II

E agora é isto. A Carolina adora enfiar a carapuça na irmã. Seja com cuecas, mas principalmente com calças porque assim fica com umas orelhinhas de coelho. E Constancinha que normalmente não está recptiva a corpos estranhos acha muita piada às graçolas da irmã.

O que faz um mosquiteiro...



Muitos quilómetros (de carro e a pé), dois shoppings, 10 parques, uma dúzia de balões, três cup cakes - que ficaram por comer - um balde de pipocas e muitos euros depois, chegamos a casa. Estafados. Enjoados. A Carolina só pensava no mosquiteiro. O acordo era claro. Só dormiria no quarto dela, assim que o mosquiteiro estivesse colocado, com as suas nuvens e princesas. Não facilitou e o pai teve de sacar da máquina e pendurar-lhe o mosquiteiro. Três noites depois continua a cumprir o acordo. E mais - justiça seja feita - ontem à tarde, na impossibilidade de brincar com a amiga do costume, disse-me, "abre-me a cama, liga-me a TV, que eu vou-me deitar, para ver se me dá o sono". Oi???? Há algum termómetro à mão? Não havia cá bicho, era o milagroso do mosquiteiro.
O meu homem queria comprar outro fato que só vestiria em casórios. Eu convenci-o a arrojar. Já conhecem a minha dica do estilo semáforo...Enfiei-lhe nas mãos um blaser verde. Mas,verde, verde, como podem ver na foto. Ele hesitou. Virou de um lado. Do outro. Questionou, "tens a certeza? Não pareço um brasileiro?".  Quando apareceu na festa quase fez mais sucesso que eu e a Kiki que tínhamos o penteado igual.
A Disney Store - como sempre - deixa-me em estado catatónico. Procuro nas paredes a Sininho e o Peter Pan. Vou para a frente do espelho com a varinha de condão e só falta dizer "espelho meu, espelho meu". Dou uma. Duas. Três. Quatro voltas. Não vá escapar-me alguma coisa. Forço a Carolina a experimentar sandálias 3-4 anos. "Não serve, mãe". "Vá empurra o pé mais um cadito para a frente". Teve sorte a Constancinha, mas devo dizer que estranhou uma sandália onde uma tira lhe separava o dedão dos outros. E da primeira vez que as calçou até se recusou a usá-las.
Constança caiu pela primeira vez abaixo da cama. Arranhou-me o nariz que parece que andei à pancada e mordeu-me o peito que parece que alguém se empolgou de mais. Ufa, o que pode acontecer em três dias!

12.6.11

De modo que perdi a cabeça

Entretanto, o meu homem era o mais bonito da festa.



*não se habituem que esta foi uma excepção ;-)

9.6.11

Chefe

e dizem que vem um fim de semana soalheiro. Mantenho as minhas reservas...


Cheguei há momentos de uma entrevista divertidíssima. Conversei com uma figura típica de uma aldeia aqui da urbe. O senhor é uma figura tal. E eu continuo a não me cansar de ouvir a sabedoria popular. O despojo que sentem, a facilidade em usar um português desconhecido. Quantas vezes lhe perguntei "como?" e não foi pelo senhor não ter dentes. Foi pelas expressões que usava.
Vou certamente divertir-me a escrevê-la. A lembrar cada momento, os mais insólitos a tanger as melhores comédias.

A cadela ladra...

então é assim, mais uma noite como a última e vão as duas dar uma voltinha ao bilhar grande.


A tramada da Maria ladrou toda a noite. Não faço ideia o que a gaja queria. Estava à espera que a "simpática (dasss) vizinha me tocasse à campainha desaforada e eu aproveitasse as ganas da bicha para a escorraçar. Mas, não. Ninguém que repreendeu - até porque ontem por acaso não era eu que ladrava - mas não aguentei e acordei o homem para meter ordem na casa dos animais que ia para lá algazarra tal. E ele lá foi. Contrariado. E perdeu com elas uns bons minutos. A partir dali não voltou a ladrar.
De manhã quando o tlm despertou apeteceu-me deixar a cadela a pão e água pelos minutos de sono que me tinha feito perder.
E agora cá estou, linda, maravilhosa e com frio! Isso frio! Deu para chover e arrefecer.

Daqui a nada parto para uma entrevista.

8.6.11

Amanhã é sexta!

Quase 21.30 e a noite ainda não caiu por completo. A televisão sempre ligada e sempre na SIC. Eu sou fã da Judite Sousa (muito mais do que da Clara de Sousa), mas hoje foi o Rodrigo quem apresentou o jornal. E gosto dele. Da dureza. Do ar sério. Dos poucos cabelos que tem.
As meninas não estão cá. Foram visitar a avó que chegou ontem de Palma. Daqui a nada, a casa volta a ter palavras, choro, expressões de sono. E por muito que quisesse enfiar-me na cama e fingir que já está tudo deitado, sei que vou ouvir um apelo dramático "mámá"..."mámá"... Animem-se as almas que amanhã é sexta e mesmo que saiba que vou ter um dia cheio e comprido - uma entrevista de manhã e duas à tarde - só devo estar de regresso por volta das 20h, estou ansiosa pela fim de semana. Que vai meter festança e tudo.

Ah (!!!!)


... O cão que habita na Casa Branca que assim por acaso é do presidente dos Estados Unidos e de raça portuguesa (o cão de água português).

Adenda ao post antes do anterior



Recebi uma crítica pertinente por não constar da minha ode a Portugal o grande Luís Vaz de Camões. Eu - ignorante - disse, "ah isso era óbvio, e além do mais o homem só escreveu os Lusíadas". Correcção: o homem não escreveu os Lusíadas, escreveu a terceira epopeia desde que o mundo é mundo sendo que as outras duas são fantasia e a portuguesa relata acontecimentos reais. Com excepção lá das ninfas e não sei quê... Mas justiça seja feita ao grande Camões que - soube também - é mais estudado em Inglaterra do que em Portugal.
Pronto, temos ainda Camões que era cego de um olho, mas um escritor exímio para enaltecer o nosso orgulho em Portugal.
E os ovos moles de Aveiro...

7.6.11

Parecências

A minha mãe tem cabelo preto e olhos verdes. O meu pai tinha cabelo loiro e olho azul. Os dois do tipo branco mais branco não há. Mas depois eu nasci e o "branco" ganhou outra dimensão. Eu era a branca, tão branca, tão branca que mal nasci fui tirar sangue para ver de que mal padecia. Afinal era apenas defeito de fabrico. Mas, o que queria dizer - assim para o caso de existirem dúvidas - é que eu sou ruiva. Naturalissima. O meu cabelo já foi laranja benetton e dada esta minha característica estou no grupo das minorias. Ou antes dos raros! Sou assim a última coca-cola do deserto, uma espécie de Nicole Kidman, em versão barriguita.
A minha querida avó era ruiva - linda de morrer - e tenho uns quantos tios também ruivos. Da minha geração só eu saí assim. Mas, ninguém sabia com quem eu era parecida. Ainda hoje, dividem-se e se há quem ache que sou a cara do meu pai, depois há a torcida da minha mãe. A minha opinião é que sou fisicamente parecida com a mummy, mas tal e qual o meu pai no temperamento, na personalidade, no modo de estar, de ser, de ficar.
Com as minhas piquenas, a coisa complica. Há um dado incontestável: nenhuma é ruiva. Ambas nasceram com o cabelo pretinho. Da minha Carolina começaram por dizer que parecia com a madrinha (tia paterna e única) que verdade seja dita é muito bonita e convenhamos tem pormenores dela sim senhor, como as sobrancelhas, o cabelo (tal e qual) e as pernas que nunca mais acabam. Mas, hoje já dizem que tende para o meu lado. De pequena Constança nunca houve a menor dúvida, é uma espécie de maioria socialista na Câmara. Unanimidade: é a cara do pai. E no caso dela, nunca apareceu uma alma piedosa que dissesse que tem ao menos os meus olhos, as minhas unhas ou que assim, meio de pefil se assemelha ligeiramente comigo. Nunca!!!

Este jeito de ser português




Ainda há uns anos podias ser queimada em praça pública se usasses uma combinação de vermelho com rosa. Hoje é um sucesso. Hoje, basta teres uma ponta de estilo e podes tudo. Vestir peles e havaianas (grande tendência em New York), teres no corpo um vestido verde alface e nos pés um azul turquesa…O que está a dar é o estilo semáforo, só que com uma palete mais vasta de cores. Meninas, deixem-se de combinar bolsas com sapatinhos e verniz das unhas. Isso já deu. Todos já entenderam que sou gaja de tendências. Posso não ter pernas para minis (por acaso até tenho), mas se se usa, vou vestir (vestia mesmo depois de parir quando tinha mais…….quilos no lombo). Posso não ter mamas para cai-cais (por acaso até tenho), mas se é a tendência da estação estou lá. Estou lá para tudo. Para curtos, compridos, coloridos, pretos CK, gangas guess jeans, apanhados, longos, lisos, ondulados, unhas verdes ou azuis... Só não estou para duas coisas. Para rasos e para dizer mal de Portugal. Oh pá, poupem-me...
Once upon a time, li uma entrevista de uma brasileira (pelo menos acho que era) que dizia que só quem nunca fez amor com um português não entende porque povoamos meio mundo. E isto diz (quase) tudo. Mas eu posso acrescentar mais umas quantas coisas. Quer dizer, por mais que inveje a irritante organização dos nórdicos, a alegria patética dos sul-americanos, a sabedoria ancestral dos orientais, eu não quereria ter nascido noutro lugar que não fosse Portugal (especialmente Guimarães). E por causa de quê? Perguntam vocês. De tanta coisa, respondo eu. Assim de repente…ah já sei… da literatura. A literatura portuguesa é a mais bela do mundo. Quem mais tem, como nós temos, a deliciosa acutilância de um Eça, a fértil esquizofrenia de um Pessoa, o pulsar acelerado dos amores proibidos de um Camilo, a inquieta e inquietante interrogação de um Torga, a constante metamorfose de um Lobo Antunes… E tantos outros que minha amiga Mary sabia enumerar melhor que eu.
Somos densos no pensamento, mas claros nas palavras. Somos complexos no raciocínio, mas inequívocos na mensagem. Somos filósofos, críticos, provocadores. Brincamos com as palavras como malabaristas. A língua é, para nós, um fim em si mesmo e não apenas um meio. É isso que nos torna ricos: a capacidade de chamarmos as coisas pelo seu nome mais simples e óbvio e, no entanto, conseguirmos enchê-las de significado, pô-las a fervilhar. Chamamos "vento" ao vento, mas mudamos-lhe o rumo e a intensidade pela forma como o colocamos na frase, pela mestria com que o intercalamos com outros vocábulos. Dominamos, como ninguém, a gramática das emoções, a sintaxe da crítica social, a ortografia da reflexão. Somos verdadeiros na escrita. Como talvez não sejamos em mais nada. E agora, dizem vocês, “ah só dizes isso porque és jornalista, porque a tua vida é escrever, ler, escrever, ler...”…talvez… mas não preciso fazer um esforço sobrehumano – como o que tenho feito à noite quando me dedico aos abdominais – para descortinar mais motivos de orgulho por pertencer a esta nação à beira mar plantada. Há a comida... aquele tempero que rapamos com o pão o que resta no prato; o estrogido apurado. Há o Vitória. Há o clima... nem frio nem calor…aquela bafarada do verão que desejas no Inverno e aquele friozinho suportável que sentes falta quando estás na esplanada a escorrer sour e a meter a barriga para dentro antes de saltares para a água. Há este jeito de ser português. De não sermos altos nem baixos. Nem gordos nem magros. Nem loiros nem morenos. Nem muito espertos, nem muito parvos. De não sermos estereotipados. De termos feito uma revolução com flores e foram essas flores que nos permitiram ser livres. Temos o Mourinho e o Ronaldo e agora até temos o Passos Coelho (perdoa-me Zézinho). E Guimarães que já tinha o castelo e o Paço dos Duques, vai ter a CEC 2012. Temos os melhores arquitectos do mundo e que se saiba ainda por cá não moram terroristas dispostos a lutar pela independência de Bracara Augusta… ou homens-bomba que queiram fazer explodir o estádio da luz. Temos praias de norte a sul e atravessamos o país numas 8 horas, vá. Porque também temos leis e não convém ultrapassar os limites de velocidade. Temos (para já) Serviço Nacional de Saúde que por acaso o Obama até quer copiar. Não vemos a nossa Justiça executar ninguém – se bem que ainda não sei se isso me agrada ou desagrada. Também não temos prisão perpétua (idem aspas). E o principal, a nossa constituição permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas não permite que se compre a morte, como já se faz por aí.
Somos dos melhores em saúde materno-infantil e somos os que temos mais telemóveis per capita e mais shoppings por metro quadrado. Tivemos a Amália, Afonso Henriques e Artur Agostinho. E relógios, isso, não são só os suiços que os têm…Pois, relógios e horas, também temos…Fui.



 *ah, e temos a Carolina e a Constança...

6.6.11

O Silêncio



Ora aí está um "ensinamento" que encontrei por acaso numa reportagem interessantíssima da revista Única do Expresso sobre silêncio. Dizia assim: "fala se tens palavras mais fortes do que o silêncio ou então guarda o silêncio". O iluminado que a disse foi Eurípedes, poeta trágico grego que viveu aí entre 485 a 406 a.c.

Gajo esperto o Eurípedes, há tantos anos e já sabia o que dizia. Já se queixava dos fala baratos, como eu. Daqui para a frente sempre que a tampa estiver para me saltar vou lembrar-me do Eurípedes e calar-me-ei...a não ser que tenha palavras mais fortes e cheira-me que seja nas unhas dos pés ou na renda do soutien vou encontrá-las.

E agora é isto, banho no lavatório



Estou a pensar telefonar ao Dr. Eduardo Sá e expôr-lhe o estranho caso de Constança Lopes Mendes. Eu resistia a acreditar quando me diziam que os segundos eram piores, que as mamãs emagreciam mais rápido, que os segundos eram sempre mais espevitados... Eu dizia, "ah vá, deixem-se disso, é o que tiver de ser". Pois já não sei se será mesmo assim. Depois de "olá", Constança aprendeu a dizer "Kitty" e depois de Kitty foi "não" e diz com tamanha convicção que se o Sócrates a pusesse no tempo de antena a apelar ao "voto não" no PSD não teria perdido as legislativas. Constança não sabe o que é parar (excepção quando dorme). E às vezes - pensamos nós - está a dormir e de rompante começa a gatinhar cama fora (ontem aconteceu isso). Constança não senta (excepção quando está a comer a sopa). Constança faz quilómetros, a andar ou a gatinhar, vai daí, quase de meia em meia hora está a tomar banho no lavatório.
Ontem já não podia com política que decidiu fazer noitada e quase não vi o discurso do novo (segundo mais novo, pelo que sei) PM de Portugal. A ver vamos no que isto dá. O povo não quer saber. Os comunas ameaçam com manifestações e greves. O Portas quer contenção e trabalhinho e o Louçã está morto. Estou curiosa para conhecer os fantásticos 9 do novo Governo de direita. Atenção ao Portas na defesa não vá o homem agora querer comprar uma nave espacial.

Sabem o que vos digo, ainda bem que esta semana tem um feriadinho ali no fim.

5.6.11

Eleições

Entre 38% e 43% de abstenção??? Eu temi que a abstenção fosse a grande vencedora.

Os portugueses estão-se nas tintas para a crise, para o país, para quem os governa. E afinal entre ir à praia e ir às urnas, não é difícil adivinhar sobre que opção recaiu a escolha.

Venha a Troika e resolva.

4.6.11

Basta um passo

Ontem entendi que basta um passo errado na vida para comprometer o futuro. Ainda bem que não fui eu quem deu esse passo. Ainda mal que foi uma menina, na altura com apenas 18 anos. Hoje tem 23.
Quero dizer-lhe que o passado não se substitui. Que ainda não há correctores que permitam mudar-lhe o nome. O gosto do beijo. A dor do estalo. Ou as marcas das unhas no pescoço. Mas, tão certo como isso é o caminho que está por trilhar. E ainda podes fazer alguma coisa pelo teu futuro.

3.6.11

Façam amor...Promovam a paz...Oiçam o Dalai Lama



Hoje não comecei bem o dia. E não sabem o que me aborrece discutir assim por nada... Sair do tom. Erguer a voz. E por nada!!! Se fosse por algo que valesse a pena, tipo que cor de verniz usar ou cabelo liso ou ondulado, chamar ao canário Amália ou Juanita, ainda era perdoável... Agora discutir por nada???? Assim logo a rebentar. Ainda antes de te sentares na cadeira e te preparares para o último dia da semana...Depois o ambiente cortava-se com uma faca grande e ponteaguda.

Anyway, para mim já era.... E esta noite dormirei tranquila (fiz a minha parte).

vou trabalhar...ora aí está uma coisa que faço quase tão bem como berrar.

Deixem-me trabalhar



Se eu queria ser directora de jornal?

Não, não queria. Prefiro escrever.

Houve alguém que disse um dia, "deixem-nos trabalhar". Hoje faço o mesmo apelo: DEIXEM-ME TRABALHAR!!!!!

2.6.11

A preparar reportagem



Estou a preparar uma reportagem sobre violência doméstica. Para já, o que posso adiantar é que há menos vítimas em Portugal e mais denúncias. A má notícia: há mais mortes também.

O meu serão nas urgências dava um filme



Esta semana tem sido de loucos!. Acho que nunca vi tanto sangue desde o parto da minha Carolina ou de quando o meu homem se cortou a semana passada a desfazer a barba. Primeiro, foi a tragédia de segunda feira (cujo tema esgotou).  E depois foi ontem, um serão nas urgências do Senhora da Oliveira. Aquilo eram transfusões, miúdos de cabeça partida, mães de toalha na mão a enxugar o sangue que escorria perante a indiferença dos prezados profissionais de saúde. Juro que se não soubesse que o meu homem sofria pelo corpo estranho que lhe tinha entrado no olho, logo pela manhã, tinha pensado, "na, isto é para os apanhados, vocês tramaram-me. O miúdo não está a sangrar, aquilo é ketchup...".
Antes de nos dirigirmos ao público (e que fique aqui esclarecido que eu sou a maior defensora do nosso Serviço Nacional de Saúde), fomos ao privado, até porque temos convenção. Dirigímo-nos às urgências e a excelentíssima funcionária nem se deu ao trabalho de ver quem lhe acabava de entrar porta dentro. "Boa tarde", digo eu. Quase meio minuto depois e ainda de cabeça baixa, responde, "boa tarde". Segue-se mais um intervalo de 1 minuto e, agora sim, olhando para mim, questiona, "posso ajudar?". "Não menina, não pode, viemos fazer uma visita guiada às urgências. Não nos apeteceu jantar, sabe e como dizem que o hospital privado está tão bonito, tão bem decoradinho, até parece um hotel, os médicos e funcionários são uma lástima, mas isso é secundário, então viemos cá, conhecer os cantos à casa".
Saímos e lá fomos ao público. Ficha feita. Triagem após cerca de 10 minutos e encaminham-no para a pequena cirurgia. "A senhora espera lá fora". "Oi? Espero onde? Porque carga de água? Já ouviram falar aí num decreto que saiu que contempla o acompanhamento do doente nos serviços públicos? E que assim só por acaso até está afixado ali na sala de espera das urgências". "Minha senhora vai discutir isso comigo?". "Não, não vou. Vou mesmo entrar". E entrei. O Nelson olhou-me, corredor adiante e deitou-me aquele olhar, "já sabia que vinhas". Atrás de nós uma sala com uns três médicos em amena cavaqueira, a mangarem do sotaque de uma madeirense que lá estava. À minha frente, sentada numa das cadeiras, uma mãe com um filho rebentado (literalmente) no colo. O rapaz tinha caído de bicicleta, deitava sangue por todo o lado. Os lábios tinham ganho proporções de uma bola de rugby. A criança aparentava sonolência e gemia. E atrás de mim, o riso dos médicos que de porta aberta conseguiam ver o estado daquele miúdo. Entretanto, passa um no corredor, e os gazeteiros da sala atiram, alto e bom som, "hey junta-te a nós, estamos aqui na reunião do tuperware". Ok, isto é para os apanhados, só pode. Tenho de tomar um xanax porque estou prestes a panicar.
A pobre e paciente mãe, levanta-se, com o filho nos braços, a toalha ensanguentada e questiona, "posso interromper?". Fez-se um silêncio de culpa naquela sala. "Ninguém vai atender o meu filho?". E ninguém lhe respondeu. Até que uma enfermeira lhe diz, "ele está bem. Olhe para ele. Nota-se logo quando uma criança não está bem e não é o caso. Não está diferente dos outros dias, pois não?" Oi??? Na minha senhora, o miúdo é vampiro e como ainda não aprendeu a beber o sangue sem se sujar dá nisto e depois fica com este aspecto de ferido. E também é absolutamente normal estar a gemer e como o pai é da Mongólia tem assim os lábios e os dentes partidos. O que é isto???? Em que "mãos" estamos????
Já nem vou falar da idosa de 97 anos que aguardava ansiosamente a sua vez e gritava com a filha de meio em meio segundo e perguntava insistentemente "vou mijar na mão?". "Faça na fralda, mãe", respondia-lhe a filha. Entretanto chega uma jovem imobilizada. Tinha sofrido uma queda. "Erga as pernas, consegue?". "Consigo". "Onde é que dói?". "Dói-me o rabo". "Ok, vai fazer uma chapa" e vira-se para a mãe da jovem e diz "leve-a para o raio x". Oi???? Agora, os familiares são maqueiros??? A senhora não sabia onde era o raio x nem tão pouco como conduzir a maca.
E para terminar o meu serão assim mesmo em grande, uma criança com cerca de dois anos com convulsões nos braços de uma médica que corria para a sala de reanimação. A mãe aos gritos cá fora.
"Ouve lá, se não tiveres nada no olho, vais passar a tê-lo pelo menos de outra cor...vais passar a tê-lo roxo".

1.6.11

Qualquer semelhança não é pura coincidência

Hey está aí alguém?



Hoje, se o meu dia pudesse ter um nome, chamar-se-ia Garfield. Um gordo e pachorrento gato de pernil esticado a acabar-se em lasanha. O meu dia foram reuniões e...reuniões...e mais reuniões...e continuo a reunir (vim cá fingir que tinha que mandar um mail importante). Não produzi. E tenho energia acumulada, quase, quase a desencadear um ataque de pânico.
Onde estão as pessoas? As "estórias"que nos saem da alma pelos dedos...

alguém alinha uma caipirinha?